Ana Mikaele Alcântara: o ouro que nasceu de uma virada fora do tatame

Judoca cearense torna-se campeã dos Jogos da Juventude CAIXA 2026 após transformar derrota dolorosa em aprendizado para a carreira e para a vida

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out 20, 2026
Ana Mikaele Alcântara: o ouro que nasceu de uma virada fora do tatame

Aos 15 anos, Ana Mikaele Moreira Alcântara está vivendo uma temporada dos sonhos. A medalha de ouro conquistada na categoria até 40kg do judô feminino nos Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu 2026 representa mais do que um resultado expressivo. Em um ano cheio de conquistas e experiências internacionais, marca de sua evolução, ela subiu ao pódio mais uma vez nesta terça-feira, dia 20. Para seguir no alto rendimento, a judoca cearense precisou aprender uma lição que vai além das técnicas do judô: cuidar da mente e do corpo é tão importante quanto treinar.

“Esse ouro traz a sensação de dever cumprido! Tenho que agradecer a Deus, aos meus pais e à Rede Cuca, que vêm me apoiando”, comemora Mikaele. “Fico feliz também de representar o Ceará, de mostrar que lá existe a Rede Cuca, um espaço esportivo tão importante para eu descobrir e desenvolver a minha paixão pelo judô. Estou muito feliz de levar essa medalha para o meu estado”, completa a judoca de Fortaleza.

A virada de chave ocorreu no Campeonato Brasileiro Sub-15 de 2025. Desde os 10 anos, quando começou no judô pela Rede Cuca, em Fortaleza, Mikaele já era apontada como uma promessa. Quase cinco anos depois, a expectativa já era terminar como a melhor do país na sua categoria, mas a realidade foi uma dura derrota logo na primeira luta do torneio nacional. A pressão para se manter dentro do limite de peso da categoria acabou comprometendo sua preparação.

Com medo de ganhar peso, Mikaele passou a restringir a alimentação sem orientação médica e o enfraquecimento físico junto ao desgaste emocional culminaram na desclassificação precoce no Campeonato Brasileiro que almejou por anos.

“Depois de muitos anos, eu sabia que tinha todas as condições para alcançar o primeiro lugar no Brasileiro do ano passado, mas acabei evitando comer por medo de ganhar peso antes da competição. Fui recusando comida, acabei ficando debilitada fisicamente e perdi logo na primeira luta. Isso mexeu muito com o meu psicológico, voltei para casa vomitando, passando muito mal”, lembra.

O episódio, que inicialmente representou frustração, acabou se tornando um divisor de águas. A partir daquela experiência, Mikaele começou a compreender que o desempenho esportivo não depende apenas da preparação física e técnica. O equilíbrio emocional e o acompanhamento de profissionais especializados também são fundamentais para enfrentar a pressão das competições.

“Às vezes, a derrota é até boa, sabe? Porque eu perdi aquela competição, mas depois desse dia eu entendi como era importante cuidar também da mente, do emocional, de ir atrás de uma psicóloga”, avalia Mikaela. 

A primeira iniciativa veio de casa. Ao perceber o impacto da experiência sobre a filha, a mãe sugeriu que ela procurasse ajuda psicológica. Mikaela encontrou sua “anja da guarda” na Rede Cuca, local em que treina e onde também encontrou suporte de outros profissionais, incluindo acompanhamento nutricional e fisioterapêutico, ampliando o cuidado com sua preparação e seu desenvolvimento como atleta de alto rendimento.

“A psicóloga me ajuda em tantas situações. Quando estou em uma semana difícil de treino, me sentindo horrível, ela me dá conselhos que fazem a diferença. Parece que é um anjo que Deus colocou para me falar as coisas certas e, quando eu escuto, normalmente dá certo”, conta Mikaele. 

Antes, durante ou depois dos confrontos, a fisionomia de Mikaele parece sempre tranquila. Mesmo após a conquista do ouro nos Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu 2026, a emoção não foi além de um abraço forte na treinadora Glaucia Lima, que está acompanhando a equipe de judô do Ceará. Mas a judoca alerta para não confundirem suas emoções. 

“Meu jeito é mais tranquilo mesmo, tanto que muitas pessoas falam que eu sou muito fria quando eu vou para a luta, só que não, eu sou tranquila mesmo e busco ficar bastante concentrada na luta. Claro que o segredo não é só o emocional! Sem treinar muito, não tem jeito ou mágica”, completa a judoca. 

Com uma relação mais saudável com a alimentação e maior atenção à saúde mental, Mikaele começou a perceber os efeitos das mudanças dentro do tatame. A confiança e o bem-estar passaram a fazer parte de uma preparação mais equilibrada, refletindo também nos resultados. Em 2026, a evolução abriu portas para a seleção brasileira de base e para a participação em competições internacionais. 

Antes mesmo de subir no tatame dos Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu 2026, a jovem judoca cearense já era alvo dos olhares atentos de Maria Portela, ex-atleta olímpica e atual técnica da Seleção Brasileira de Judô na categoria Cadete (sub-18). O motivo era a conquista da medalha de bronze no Campeonato Mundial Cadete de Guayaquil, no Equador, dois meses antes da maior competição multiesportiva entre jovens de até 17 anos do Brasil.

Onde acompanhar

Os Jogos da Juventude CAIXA 2026 contam com 215 provas das 20 modalidades, divididas em três blocos, até 03 de novembro. Todos os resultados poderão ser acompanhados ao vivo no site oficial www.jogosdajuventude.org.br e no aplicativo móvel, com o nome de “Jogos da Juventude 2026” na Apple Store e PlayStore.

Os Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu 2026 são realizados pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), com apoio da Prefeitura de Foz do Iguaçu e do Governo do Paraná; patrocínio de Vale, Neoenergia e Wizard, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte; e têm a Urbia Cataratas como Parceiro Local. O COB conta com a CAIXA e Loterias CAIXA como Patrocinadores Olímpicos Nacionais Master, e com adidas, Vale, Tigre, Vivo, Medley, Neoenergia, Wizard, Dasa, Estácio, Neodent, Mormaii e Max Recovery como Patrocinadores Olímpicos Nacionais.

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