Da desistência à medalha: apoio mental e trabalho em equipe levam dupla do RJ ao pódio nas águas abertas dos Jogos da Juventude 2026

Após abalo emocional no primeiro dia, Pietro Neves conta com suporte do treinador e da parceira Maria Luiza para dar a volta por cima no revezamento em Foz do Iguaçu

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O desafio no esporte de alto rendimento vai além dos limites do corpo. Cada vez mais, a preparação física caminha ao lado da psicológica — relação colocada à prova na disputa de águas abertas dos Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu 2026, em que a dupla do Rio de Janeiro conquistou o bronze no revezamento misto 2×1.500m. Tudo isso, apenas um dia após a desistência de um dos atletas na prova individual disputada no Lago de Itaipu, nas margens do Iate Clube de Foz do Iguaçu.

No primeiro dia da modalidade no maior evento multiesportivo do Brasil para atletas de até 17 anos, a ansiedade e a intensidade da prova de 5km fizeram o carioca Pietro Neves, de 16 anos, abandonar a disputa. “Logo no início, tomei uma pancada no olho que me desestabilizou muito. Os outros nadadores começaram a me fechar, percebi que estava hiperventilando e fiquei desesperado”, relata sobre a estreia nos Jogos da Juventude.

A frustração inicial deu lugar à maturidade. Ao longo do dia, conversas com a família, com a parceira de equipe Maria Luiza Sadok e com a comissão técnica foram fundamentais para virar a página e focar na segunda oportunidade que teria de voltar a competir nesta edição do evento. A bagagem adquirida no acompanhamento psicológico foi outro fator decisivo.

“Tenho uma psicóloga que me ajuda muito e lembrei do que trabalhamos em sessões anteriores. Nós, atletas jovens, estamos em fase de amadurecimento, virando adultos, as emoções ficam à flor da pele e sentimos tudo com muita intensidade. O trabalho da psicologia me ajuda a colocar a cabeça no lugar”, destaca Pietro.

Pietro Neves Dos Santos, do Rio de Janeiro, disputou as provas de águas abertas dos Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu. Foto: William Lucas/COB.

“Com a cabeça no lugar e o coração na prova”, como o próprio Pietro definiu, ele e Maria Luiza voltaram ao mesmo local de competição no dia seguinte para o revezamento misto e garantiram a medalha de bronze para a delegação carioca. “Pensei que meu técnico e a Maria Luiza estavam contando comigo para trazermos uma medalha para o Rio. Essa foi a minha maior motivação”, contou Pietro.

Maria Luiza, que também lida com acompanhamento psicológico para lidar com os desafios do esporte e com lesões recentes, adotou uma postura empática para apoiar o colega. “Não quis pressionar, mas fui vendo que o Pietro foi ficando mais calmo e sorrindo no dia seguinte. Sabíamos que dava para entregar o nosso melhor e fizemos isso”, orgulha-se a nadadora, que também faturou uma medalha de bronze na prova individual feminina de 5 km no dia anterior.

Os Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu 2026 são realizados pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), com apoio da Prefeitura de Foz do Iguaçu e do Governo do Paraná; patrocínio de Vale, Neoenergia e Wizard, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte; e têm a Urbia Cataratas como Parceiro Local. O COB conta com a CAIXA e Loterias CAIXA como Patrocinadores Olímpicos Nacionais Master, e com adidas, Vale, Tigre, Vivo, Medley, Neoenergia, Wizard, Dasa, Estácio, Neodent, Mormaii e Max Recovery como Patrocinadores Olímpicos Nacionais.

Apoio técnico e psicológico

Para o treinador da equipe do Rio de Janeiro, Daniel Catela, a superação de Pietro começou em uma conversa franca logo após a desistência. O técnico usou o exemplo da própria Maria Luiza, que superou uma lesão para competir, e depois buscou aliviar a pressão sobre o jovem atleta para que virassem a página juntos.

“Falei para ele que não o estava culpando por nada, mas que tínhamos todas as condições de estar no pódio no dia seguinte. E reforcei que precisávamos dele”, conta Catela. O nadador Pietro foi para a água com medo e ansioso, claro, mas encarou o desafio buscando dar o seu melhor e conseguiu.

Pódio da prova de revezamento misto 2×1.500m das águas abertas dos Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu. Ouro: Maria Eduarda Borges Da Nobrega e Gabriel Brandt (PR). Prata: Nina Picon Porciuncula e Lidio Vinicius Possodonio Teixeira (BA). Bronze: Pietro Neves Dos Santos e Maria Luiza Sadok De Sa Takahashi De Navarro (RJ). Foto: William Lucas/COB.

A estratégia de colocá-lo para largar no primeiro bloco, ao lado de várias nadadoras de times adversários, fez com que o representante do Rio de Janeiro disparasse na frente, despertando a atenção dos adversários. A vantagem foi bem administrada por Maria Luiza para conseguir totalizar os 3 km percorridos pela dupla na terceira colocação. “Ver os dois se erguendo e saindo com a medalha foi extremamente gratificante”, comemora o treinador do Rio.

Com 10 anos de experiência como treinador de natação e formação complementar voltada para a Psicologia do Esporte e a Psicanálise, Catela ressalta que o diálogo diário e a empatia são determinantes no rendimento de atletas jovens. “Tento construir uma conexão real com eles para que a comunicação seja clara. A parte mental afeta a todos, e o papel do treinador vai além de dar orientações técnicas; é preciso entender o que cada atleta está sentindo. Essa abertura facilita a conversa e nos dá tranquilidade para reverter momentos difíceis”, destaca o treinador.

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