O conjunto baiano na disputa da ginástica rítmica nos Jogos da Juventude CAIXA 2026 mostrou nesta segunda-feira, 26 de outubro, o que é que a Bahia tem – mas também trouxe um pouco da Índia. Filha de um indiano com uma baiana, Diana Gogoi trouxe consigo a herança multicultural que marca sua vida.
Aos 14 anos, a jovem faz sua estreia na competição justamente na primeira edição em que a disciplina do conjunto é disputada na história. Ela esteve ao lado das colegas Alice Bittencourt, Isabelle Murta, Luísa Lima e Maria Sophia Oliveira e pôde celebrar a sua primeira final.
Das dez equipes inscritas na disputa das cinco bolas, o time da Bahia passou pela classificatória na sétima posição com 15.400 pontos. Na decisão, porém, sofreu punição com a perda de um aparelho na apresentação, terminando na oitava colocação com 12.850. A medalha de ouro foi do Espírito Santo com 19.300.
“Foi meu primeiro ano no juvenil e também o primeiro ano nos Jogos da Juventude. Foi muito incrível, eu sempre quis participar. Por mais que tenha errado na final, é uma experiência. Amei ter participado, foi uma experiência deslumbrante”, afirmou a jovem após a decisão.
A presença de Diana Gogoi nos Jogos da Juventude CAIXA 2026 é motivo de orgulho para duas nacionalidades distintas: a mãe (Rosângela) natural da Bahia, no Brasil, e o pai (Anupam), que nasceu na Índia. Atualmente, a família vive em Salvador, capital baiana, e a jovem tenta combinar as duas culturas.
A família paterna inteira, por exemplo, segue no país asiático. A jovem, inclusive, já viajou a Assam, estado de origem, em três ocasiões distintas para conhecer os avós, primos e tios. Gosta de usar o ‘bindi’, aquele ponto utilizado no meio da testa. Para a jovem, possui um significado cultural.
“Ele pode representar várias coisas, mas eu uso como elemento de cultura porque eu acho bonito, acho que me destaca também. Uso para ir à escola e para sair”, explica.
Os Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu 2026 são realizados pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), com apoio da Prefeitura de Foz do Iguaçu e do Governo do Paraná; patrocínio de Vale, Neoenergia e Wizard, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte; e têm a Urbia Cataratas como Parceiro Local. O COB conta com a CAIXA e Loterias CAIXA como Patrocinadores Olímpicos Nacionais Master, e com adidas, Vale, Tigre, Vivo, Medley, Neoenergia, Wizard, Dasa, Estácio, Neodent, Mormaii e Max Recovery como Patrocinadores Olímpicos Nacionais.

Diana Gogoi e a história de amor entre Índia e Brasil
A história de Diana Gogoi começou há muito tempo antes dela nascer – e de forma mais inusitada possível.
Uma amiga da mãe namorava um rapaz da Índia pela internet quando resolveu ir até o país para encontrá-lo. Porém, ela não foi sozinha: levou a mãe de Diana junto para fazer companhia. Lá, elas encontraram o webnamorado, mas ele também estava acompanhado de Anupam Gogoi. Foi amor à primeira vista.
“Na época da minha mãe estava na moda namorar indiano”, brinca Diana. “Na época eles só trocaram uns beijinhos e minha mãe voltou para o Brasil”, se divertiu.
Entre idas e vindas, passagens entre Brasil e Índia, os dois se casaram e Diana nasceu em março de 2012 em Salvador, na Bahia. O pai se mudou para cá a fim de ficar perto da família, mas primeiro foi para São Paulo (SP) a trabalho e só em 2020, no meio da pandemia, se estabeleceu com a família no Nordeste.
“Eu adoro porque o povo fica muito curioso. Todos perguntam ‘você só come comida indiana?’, ‘você veste aqueles vestidos?’, ‘usa coisas na cabeça’ [risos]. É muito legal as pessoas terem essa curiosidade e também poder falar que tenho parte da família indiana”, comentou.

Ginástica Rítmica ao acaso – e Jogos da Juventude em quatro anos
O inusitado que marca sua origem é o mesmo que levou Diana Gogoi à ginástica rítmica.
Em 2019, ela até chegou a praticar o esporte em um projeto na escola em que estudava, mas com a pandemia de covid-19, ela precisou parar com a atividade. Até aí, porém, nada demais. “Era coisa boba”, admite.
Porém, três anos depois, a família mudou de bairro em Salvador e a jovem ficou ao lado de um clube que ensinava a modalidade. Resolveu fazer uma aula experimental e gostou da experiência. Resolveu dar mais uma chance mesmo com dez anos – uma idade considerada elevada para o início do esporte.
Mesmo sem pretensão de ser uma atleta de alto rendimento, Diana evoluiu dentro do esporte – e passou a conquistar seu espaço aos poucos. Participação no conjunto, competições estaduais e, agora, a disputa dos Jogos da Juventude CAIXA 2026.
“Me surpreende porque muitas das ginastas aqui começaram com três, quatro anos, e eu comecei com dez anos. Então adoro me ver crescendo aos pouquinhos e é impressionante começar com dez anos e quatro anos depois estar aqui”.
Tanto que ela nem se preocupa com os resultados. Em sua estreia, quer mais curtir a experiência. Entre elas, ter a chance de interagir com Bárbara Domingos, Embaixadora dos Jogos da Juventude CAIXA 2026 e finalista olímpica e mundial da ginástica rítmica. Ela esteve nas atividades e conversou com as ginastas.
“Não tenho nem palavras para descrever. Tem uma atleta olímpica me assistindo, vendo meus passos”, explica. “As meninas aqui são super fortes, super expressivas, isso me impressiona porque nunca cheguei no nível delas e me sinto homenageada por estar perto delas”, explica.