No encerramento da ginástica rítmica nos Jogos da Juventude CAIXA 2026 nesta segunda-feira, 26 de outubro, um nome chamou a atenção: Mariana Radeva Sartori, 15 anos. Natural de Porto Alegre, ela conquistou duas medalhas de ouro para o Rio Grande do Sul. Porém, os títulos conquistados em Foz do Iguaçu também possuem uma contribuição da Bulgária.
Filha da búlgara Madlena Radeva, a jovem descobriu a ginástica rítmica no país europeu, simplesmente uma das principais potências da modalidade. O país soma 196 medalhas em campeonatos mundiais e seis medalhas olímpicas, ocupando a segunda posição no quadro geral de pódios.
Tal retrospecto inspirou a jovem gaúcha nesta edição. Após a prata no individual geral no domingo, dia 25, ela garantiu suas primeiras medalhas de ouro na competição. Foi a campeã do arco com 24.550 pontos (apenas 0,1 à frente de Amanda Manente, do Espírito Santo) e também das maças com 23.950.
“É bem diferente. Lá no infantil a gente já começa com quatro aparelhos, diferente do Brasil, que são três”, confidencia. A experiência acumulada na Bulgária fez bem para Mariana Sartori após retornar ao Brasil.
Nos Jogos da Juventude CAIXA 2026 ela melhorou seu desempenho em relação à edição de 2025, em Brasília. Depois dos três bronzes na temporada passada, ela se despede deste ano com dois ouros e uma prata nas provas individuais – e a certeza de que venceu algumas de suas principais colegas e rivais nas convocações da seleção brasileira júnior.
“É uma conquista muito especial para mim. Ter me classificado em primeiro é surreal”, afirmou. “O nível aqui é muito alto. São as melhores ginastas de cada estado e, por isso, as expectativas são sempre as mais altas. Eu venho aqui para tentar cravar as minhas séries. Se eu conseguir, dei o melhor; se não conseguir, eu tento de novo”, desconversou.
Os Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu 2026 são realizados pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), com apoio da Prefeitura de Foz do Iguaçu e do Governo do Paraná; patrocínio de Vale, Neoenergia e Wizard, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte; e têm a Urbia Cataratas como Parceiro Local. O COB conta com a CAIXA e Loterias CAIXA como Patrocinadores Olímpicos Nacionais Master, e com adidas, Vale, Tigre, Vivo, Medley, Neoenergia, Wizard, Dasa, Estácio, Neodent, Mormaii e Max Recovery como Patrocinadores Olímpicos Nacionais.

Mariana Sartori nasceu no Brasil, mas descobriu a ginástica rítmica na Bulgária
O português impecável e a carteira de identidade de Mariana Sartori não deixam dúvidas sobre sua origem: ela nasceu em Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, em janeiro de 2011. A herança multicultural, contudo, a levou ainda na infância para a Bulgária – e lá descobrir um novo mundo de oportunidades.
Quando tinha apenas cinco anos, a família decidiu se mudar para o país europeu. Tempo depois, ao assistir à televisão, viu uma prova de ginástica rítmica, simplesmente um dos esportes mais populares da Bulgária. Pediu à mãe para acompanhar uma competição ao vivo e sentiu amor à primeira vista.
“Gostei muito de como era o ambiente e pedi à minha mãe para me colocar numa escola para começar a treinar a ginástica rítmica”, explicou.
Foram quase sete anos assim na Bulgária: treinando, competindo e evoluindo no esporte. Até que em 2023 voltou ao Brasil para disputar o Campeonato Brasileiro. “Queria ver se me adaptava”, explicou.
Fez mais do que isso. Se destacou e gostou da experiência. Assim, no fim daquele ano, uma nova mudança a trouxe de volta ao país para continuar sua trajetória na ginástica rítmica.
“Eu gosto muito de representar o Brasil nos eventos e gosto de competir aqui”, comentou.

Mariana Sartori treinou com medalhista de Campeonato Mundial
A ponte aérea entre a Bulgária e o Brasil, contudo, prossegue para Mariana Sartori.
Em 2025, por exemplo, passou duas semanas de treinamentos intensos com Silvia Miteva, ex-atleta búlgara da modalidade e dona de três medalhas de bronze no Mundial de Ginástica Rítmica (na fita em 2009 e 2011 e nas maças em 2011). Ela foi a responsável por fazer as séries de arco, bola e maças da atleta nesta temporada.
As mesmas séries que lhe garantiram duas medalhas de ouro nos Jogos da Juventude CAIXA 2026.
Neste ano, Mariana teve mais duas semanas de treinos com Miteva na Bulgária e aproveitou para participar de duas competições internacionais no país – tudo para ganhar mais experiência.
“É muito bom treinar com ela porque eu tenho certeza que ela sabe o que faz”, brincou.
Assim, convivendo entre a cultura búlgara e brasileira, Mariana Sartori espera trilhar seu caminho na modalidade. Ela já representou o Brasil em eventos internacionais, como o Sul-Americano e o Pan-Americano de Ginástica Rítmica na categoria de base, mas espera alcançar mais no futuro.
“Meu maior objetivo é continuar representando o Brasil e um dia chegar em um Mundial e à Copa do Mundo. Se eu conseguir conquistar isso, mais para frente quero tentar os Jogos Olímpicos”, conclui.