Inspirada pela irmã da seleção brasileira, Gislene Paulino dos Santos (AM) representa o povo Karapãna nos Jogos da Juventude

Atleta de 16 anos disputa sua primeira competição nacional acompanhada de Graziela Paulino dos Santos, referência no tiro com arco brasileiro

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Em nheengatu, Seucy significa Estrela e Yaci, Lua. São os nomes indígenas de Gislene e Graziela Paulino dos Santos, duas irmãs do povo Karapãna, do Amazonas, que compartilham uma paixão pelo arco e flecha. Aos 16 anos, Gislene vive sua primeira experiência em uma competição nacional: os Jogos da Juventude CAIXA 2026, em Foz do Iguaçu.

Nascida e criada na Aldeia Kuanã, localizada na comunidade Nova Canaã, às margens do rio Cuieiras, Gislene cresceu acompanhando os treinamentos da irmã mais velha, que hoje integra a seleção brasileira de tiro com arco. Foi observando Graziela que ela começou a se interessar pelo esporte e a imaginar que também poderia seguir aquele caminho.

“Eu via minha irmã treinando desde que era bem pequenininha. Depois de um tempo, comecei a me interessar também. Passei a treinar lá em casa e, quando surgiu a oportunidade de participar da seletiva, consegui me classificar”, contou.

Na aldeia, onde o acesso é feito exclusivamente por barco, Gislene realiza boa parte de sua preparação sozinha, utilizando um alvo que um dia pertenceu à irmã.

Em Foz do Iguaçu, porém, ganhou uma companhia especial. Antes e depois das séries de tiros, seu olhar procurava Graziela, que acompanhava atentamente cada movimento da caçula. Era uma maneira de buscar orientações e saber, pelo olhar de quem sempre foi sua maior referência, se estava no caminho certo.

“Quando olho para ela, é para saber se fui bem ou se preciso mudar alguma coisa. Ela fala para levantar mais o braço, manter firme, ir um pouco para o lado. Ela é minha irmã, minha técnica, minha tudo”, contou Gislene.

Uma paixão que atravessa a família

A relação da família com o arco e flecha começou muito antes de conhecerem a modalidade olímpica. Na Aldeia Kuanã, a prática fazia parte das brincadeiras e dos Jogos Interculturais Indígenas, para os quais pais, avós e tios ajudavam a confeccionar os equipamentos.

Com o tempo, essa tradição também encontrou espaço no esporte de alto rendimento. Além de Graziela, seu irmão Gustavo Santos integrou a seleção brasileira de tiro com arco, dando continuidade a uma história que agora também começa a ser escrita por Gislene.

“A gente já brincava de arco e flecha na nossa aldeia antes de conhecer o tiro com arco. Meu avô, meu tio e meu pai ajudavam a fazer os arcos e as flechas para participarmos dos jogos. Quando entrei no projeto, nem sabia que existia uma modalidade olímpica e que poderia representar o Brasil”, relembrou Graziela.

Confira aqui todas as fotos dos Jogos da Juventude CAIXA 2026.

A irmã mais velha começou sua trajetória esportiva por meio de um projeto social de arqueria indígena. Em 2014, mudou-se para Manaus para se dedicar aos treinamentos e, em sua primeira participação em um Campeonato Brasileiro, conquistou uma medalha de bronze.

Desde então, passou a representar o país em competições internacionais, incluindo Jogos Pan-Americanos e Campeonatos Mundiais. Integrante da seleção brasileira, mantém o sonho de se tornar a primeira mulher indígena a representar o Brasil no tiro com arco em uma edição dos Jogos Olímpicos.

“Fico muito feliz de ver que ela está seguindo meus passos e tendo a mesma oportunidade que tive. O esporte transformou minha vida de um jeito que eu não imaginava. Poder ser essa inspiração para ela e para outros jovens é uma honra muito grande”, afirmou Graziela.

A coragem de descobrir novos caminhos

Gislene também carrega suas raízes indígenas no próprio corpo. No braço, um grafismo inspirado na folha de açaí representa sua ligação com a cultura do povo Karapãna e tem um significado especial para a jovem: a coragem.

“É um grafismo indígena da folha de açaí. Acho que representa coragem”, explicou.

Uma característica que também precisou colocar em prática para chegar aos Jogos da Juventude. Aos 16 anos, Gislene viajou de avião pela primeira vez, deixou o Amazonas sem a companhia dos pais e chegou a Foz do Iguaçu para competir diante de atletas de diferentes regiões do Brasil.

“Eu achei que ficaria muito mais nervosa, mas gostei de competir aqui. Tem muita gente em volta, é tudo diferente, mas achei muito legal”, contou.

A participação nos Jogos também tem um significado especial para Graziela. Apesar de já ter representado o Brasil em grandes competições internacionais, ela não teve a oportunidade de disputar o evento durante a adolescência. Agora, acompanha a estreia da irmã e conhece a competição por uma perspectiva diferente.

“Eu já fui para Jogos Sul-Americanos, Pan-Americanos, e é o mesmo sentimento de juntar atletas de várias modalidades em um lugar só. Eles conhecem pessoas de outros estados, outras culturas, outros modos de vida. É uma oportunidade incrível”, destacou.

Os Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu 2026 são realizados pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), com apoio da Prefeitura de Foz do Iguaçu e do Governo do Paraná; patrocínio de Vale, Neoenergia e Wizard, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte; e têm a Urbia Cataratas como Parceiro Local. O COB conta com a CAIXA e Loterias CAIXA como Patrocinadores Olímpicos Nacionais Master, e com Adidas, Vale, Tigre, Vivo, Medley, Neoenergia, Wizard, Dasa, Estácio, Neodent, Mormaii e Max Recovery como Patrocinadores Olímpicos Nacionais.

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