Em 2025, João Vítor Palhares era um ponteiro em busca de seus sonhos e objetivos no vôlei. Um ano depois, ele é o líbero da equipe de vôlei masculino do Rio de Janeiro nos Jogos da Juventude CAIXA 2026 em Foz do Iguaçu e considerado um dos melhores do mundo em sua posição na categoria sub-17.
Ao lado de seus colegas, já esteve presente em duas partidas na competição. No sábado, 24 de outubro, estreou com derrota para São Paulo por 2 a 1 (25/22, 22/25 e 15/13). No dia seguinte, venceu Minas Gerais por 2 a 0 (25/17 e 25/14). A primeira fase termina nesta segunda-feira, dia 26, contra o Distrito Federal.
Aos 16 anos, ‘Joãozinho’, como é conhecido, chegou a Foz do Iguaçu credenciado como um dos melhores líberos do mundo em sua faixa etária. No Mundial de Vôlei Masculino Sub-17 ele foi um dos pilares do Brasil na conquista do bronze e um dos líderes em recepções bem-sucedidas ao lado do francês Corentin Agnèse.
Nada mal para quem, no início de 2025, ainda tentava ser ponteiro no Tijuca Tênis Clube.
“Quando comecei a ver os meninos da minha idade com dois metros, falei: ‘tenho que mudar para ser o melhor’”, explicou. “Precisei me tornar líbero para não ficar atrasado e, graças a Deus, deu tudo certo. Virei líbero no momento certo, fui chamado para o Fluminense e está sendo maravilhoso para mim esse ano”, continuou.
A mudança se concretizou oficialmente quando trocou o Tijuca pelo Fluminense em 2025 – e nem foi sua primeira mudança de posição dentro de quadra. No início da carreira mesmo tentou ser levantador. Foi para a ponta porque gosta de “fazer pontos”. Por ironia do destino, se tornou um dos melhores do mundo na única posição proibida de atacar.
Algum problema para João Vítor Palhares? Nem um pouco. “Gosto muito desse esporte, acompanho todos os dias. Para mim, estar dentro de quadra já é muito bom, seja para treinar ou competir. Sou apaixonado [pelo vôlei] e ajudar os meus amigos no que eu puder já é gratificante”, garantiu.
Os Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu 2026 são realizados pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), com apoio da Prefeitura de Foz do Iguaçu e do Governo do Paraná; patrocínio de Vale, Neoenergia e Wizard, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte; e têm a Urbia Cataratas como Parceiro Local. O COB conta com a CAIXA e Loterias CAIXA como Patrocinadores Olímpicos Nacionais Master, e com adidas, Vale, Tigre, Vivo, Medley, Neoenergia, Wizard, Dasa, Estácio, Neodent, Mormaii e Max Recovery como Patrocinadores Olímpicos Nacionais.

João Vítor evolui ‘dois anos em cinco meses’ e sonha alto
Foi no Grajaú, bairro da Zona Norte do Rio de Janeiro, que João Vítor Palhares deu seus primeiros toques numa bola de vôlei. Os pais eram entusiastas da modalidade e colocaram o filho em uma escolinha do bairro quando ele tinha 10 anos. A aceitação foi imediata e logo ele quis voos maiores.
No ano seguinte, passou em uma peneira no Tijuca Tênis Clube para se tornar atleta federado e disputar competições estaduais. Migrou de levantador para ponteiro e começou a se destacar. “Fiquei quatro anos lá e me deram uma oportunidade muito grande de evoluir”, admitiu.
Até chegar ao Fluminense no fim de 2025 para atuar como líbero. Bastou um Campeonato Brasileiro Interclubes na nova posição para o técnico Marcelo Zenni, da seleção brasileira sub-17, chamá-lo para um período de treinos em Saquarema antes do Mundial de Vôlei Masculino Sub-17.
“A gente ficou cinco meses em preparação lá e mudou o meu jogo. Teve um técnico que falou que evoluí dois anos em cinco meses”.
O desempenho no campeonato mundial definitivamente mudou seu status, mas não seus objetivos. Passo a passo, Joãozinho quer trilhar seu caminho até a seleção adulta, começando pelo sub-17, sub-19 e sub-21 do Fluminense em competições como a Superliga B. Depois, conquistando seu espaço nas convocações nacionais.
“Sempre no treino eu falo que tenho que evoluir, tenho que ser melhor. O líbero da França foi eleito o melhor do Mundial sub-17 e eu penso todo dia que tenho que ser melhor do que ele. Esse é o meu objetivo. Estou feliz de ter sido o melhor passador do Mundial, mas pretendo evoluir e melhorar muito para ganhar mais títulos”.

João Vítor estreia nos Jogos da Juventude CAIXA 2026 em busca do título
É com essa fome de conquistas que João Vítor Palhares estreia nos Jogos da Juventude CAIXA 2026. Ele, inclusive, não está sozinho na empreitada: o time do Rio de Janeiro conta ainda com Lucca Perazzo e Arthur de Paula, que também estiveram na seleção brasileira no Mundial de Vôlei Masculino sub-17.
“Quando a gente veio para cá, desde o início o objetivo era ser campeão, mas o nível é muito grande. Nós temos time para isso, estamos pensando em como ganhar e esse é o nosso sonho”, admite.
Não se trata de mera retórica. Mesmo com três atletas da seleção brasileira, o Rio de Janeiro perdeu para São Paulo na estreia em uma partida decidida nos últimos pontos do tie-break e precisou encaixar o jogo diante de Minas Gerais na segunda rodada para confirmar a vitória na fase de grupos.
Para Joãozinho, a experiência é válida tanto dentro quanto fora da quadra em busca de seu crescimento na carreira. “É bom porque a gente foge um pouco do estadual, vem para uma competição nacional, são atletas melhores e times diferentes. É um nível muito alto, uma experiência boa”, concluiu.