Os resultados e as façanhas de ídolos nacionais têm o poder de transformar a realidade de qualquer modalidade em um país. A disputa do atletismo nos Jogos da Juventude CAIXA 2026 comprovou esta máxima entre 20 e 21 de outubro com as duas provas da marcha atlética.
Quem esteve presente no Complexo Costa Cavalcanti se surpreendeu com a quantidade de inscritos na disciplina. Foram 41 competidores, sendo 21 homens nos 5.000 metros e 20 mulheres nos 3.000 metros. Eles representaram 21 das 27 unidades federativas das cinco regiões do Brasil.
Todos, de certa forma, impactados pelo desempenho de Caio Bonfim nas últimas temporadas.
Até 2022, por exemplo, a prova não fazia parte do programa dos Jogos da Juventude. A estreia, na edição de 2023 em Ribeirão Preto (SP), mobilizou 29 atletas (14 homens e 15 mulheres). Três anos, um título mundial e uma medalha olímpica depois, o número de participantes cresceu 41%.
“Mais do que um atleta, Caio Bonfim é um ídolo do atletismo e do esporte brasileiro. Ele arrasta multidões tanto do ponto de vista da torcida, do engajamento dos fãs, como dos atletas. Cada vez mais a marcha atlética vem crescendo no Brasil e os Jogos da Juventude são um reflexo e um termômetro disso”, afirmou Wlamir Motta Campos, presidente da Confederação Brasileira de Atletismo (CBAt).
Um dos atletas mais regulares do esporte brasileiro, Caio Bonfim mudou o patamar da marcha atlética no Brasil. Ele conquistou quatro medalhas em campeonatos mundiais de atletismo, incluindo o ouro nos 20km em 2025. Em Paris 2024, conquistou a prata e garantiu a primeira medalha olímpica do país na disciplina.
Não à toa, neste período o próprio Caio intensificou seu contato com a nova geração de atletas. Em 2024, foi Embaixador dos Jogos da Juventude em João Pessoa (PB). Neste ano, esteve presente no vídeo promocional da Tocha, levando ela até a usina Itaipu Binacional.
Os Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu 2026 são realizados pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), com apoio da Prefeitura de Foz do Iguaçu e do Governo do Paraná; patrocínio de Vale, Neoenergia e Wizard, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte; e têm a Urbia Cataratas como Parceiro Local. O COB conta com a CAIXA e Loterias CAIXA como Patrocinadores Olímpicos Nacionais Master, e com adidas, Vale, Tigre, Vivo, Medley, Neoenergia, Wizard, Dasa, Estácio, Neodent, Mormaii e Max Recovery como Patrocinadores Olímpicos Nacionais.
Medalhistas da marcha atlética masculina têm Caio Bonfim como inspiração
Cristian do Nascimento, do Espírito Santo, foi o vice-campeão da prova masculina de marcha atlética nos Jogos da Juventude CAIXA 2026. Ele é direto quando perguntado por que começou no esporte:
“Minha referência é o Caio Bonfim. Comecei única e exclusivamente por causa dele. Vi o pessoal marchando e pensei: ‘vou tentar a modalidade’”.
Praticante de corridas de meio-fundo, ele resolveu migrar para a marcha atlética em busca de um melhor desempenho em suas provas. Deu certo. Em um ano praticando a disciplina, baixou seu tempo em mais de 11 minutos e passou a se destacar em competições regionais e nacionais.

Mateus Santos, de Santa Catarina, foi o vencedor masculino e pulverizou o recorde da competição. Ele experimentou a marcha bem cedo após influência de uma professora de educação física que o colocou na prova. Após uma reticência inicial, passou a gostar e já teve a chance de passar um tempo com Caio Bonfim.
“A gente sempre busca o melhor. Ver que eles conseguiram chegar longe, inspira a gente para chegar lá onde eles também chegaram”, comenta.
Disputa feminina é dominada por ‘crias’ do Distrito Federal
Se no masculino o pódio foi dominado por atletas que têm Caio Bonfim como ídolo, no feminino a disputa foi de atletas que treinam na mesma cidade que o medalhista olímpico. Gabriela Beatriz Souza, 16, e Mychelle Rodrigues de Souza, 17, são do Distrito Federal e conquistaram o ouro e a prata nos 3.000 metros da marcha atlética.

Gabriela, inclusive, é mais uma jovem talentosa que desponta no local: em sua segunda participação nos Jogos da Juventude, ela conquistou a segunda medalha de ouro e o segundo recorde do campeonato com 14min47s14.
Mas afinal, o que o Distrito Federal tem para se tornar a capital nacional da marcha atlética?
“Ah, é uma boa pergunta”, se divertiu Gabriela após conquistar a vitória. “Por termos muitos exemplos, como o Caio, a gente é muito incentivado. Ter pessoas que chegaram a uma Olimpíada é um grande incentivo para nós”, completou.
Mychelle, que costuma dividir os pódios das principais competições de base com a colega, concorda e vai além. O sucesso de um estimula a criação de uma cultura maior, com mais profissionais envolvidos.
“O Caio é um grande exemplo, mas nós temos grandes treinadores também, como o Wellington Luiz que é o nosso treinador e também uma grande inspiração para a gente no esporte”, conclui.