Responsável por revelar atletas olímpicos do badminton brasileiro, Sebastião Dias lidera equipe do RJ a três medalhas nos Jogos da Juventude

Treinador tem projeto social que transforma vidas e projeta talentos que sonham em representar o Brasil nos Jogos Olímpicos

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Uma presença à beira da quadra de badminton nos Jogos da Juventude Caixa Foz do Iguaçu 2026 sintetiza a essência do badminton brasileiro. Sebastião Dias de Oliveira fundou a Associação Miratus de Badminton, na Chacrinha, em meados dos anos 1990, para promover o desenvolvimento social na comunidade, localizada na Zona Oeste da capital carioca. O projeto acabou se tornando também um celeiro de alguns dos principais atletas brasileiros da modalidade. 

Morador da Chacrinha, o atleta Luis Henrique Roza conheceu o badminton por meio da Associação Miratus com apenas 5 anos. Hoje, aos 16, ele sonha em chegar à seleção brasileira e disputar as Olimpíadas. Lohaynny Vicente e Ygor Coelho são dois frutos do mesmo projeto que fizeram história ao compor a primeira dupla brasileira da modalidade nos Jogos Olímpicos Rio-2016. Ygor, que é também filho do treinador, somou outras duas participações olímpicas e segue como inspiração para os meninos e meninas que passam pelo projeto.

Mas a inspiração de Luis Henrique não para por aí. Ele tem também uma referência que vem de dentro da própria família. “Me inspiro no meu irmão Jonathan Matias, que também começou na Miratus, na Chacrinha, e, hoje, joga pelo Paulistano e está disputando várias competições internacionais pela seleção brasileira. Olho para eles e percebo que é possível, se eu trabalhar e me dedicar, vejo que posso chegar lá também”, explica Luis Henrique.

Yasmim Kethllen Nascimento e Luis Henrique Roza (de branco), do Rio de Janeiro, enfrentam Luis Aires e Pietra Jung, de Santa Catarina, na final da dupla mista 1ª divisão dos Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu 2026. Foto: Washington Alves/COB.

Nos Jogos da Juventude 2026, Luis Henrique compôs a equipe do Rio de Janeiro que faturou três medalhas: ouro no simples feminino com Yasmim Kethllen Nascimento; ouro nas duplas masculinas com Luis Henrique Roza e Marcus Paulo Cruz; e prata nas duplas mistas com Luis Henrique e Yasmim Kethllen.

Parceira de Luis Henrique na dupla mista e campeã do simples feminino, Yasmim Kethllen, 17 anos, compartilha da mesma origem e dos mesmos sonhos. No projeto Miratus desde os 6 anos, a jovem carioca vem embalada por sua recente estreia no Campeonato Mundial Júnior de Badminton, organizado pela BWF, disputado no Egito uma semana antes dos Jogos da Juventude. 

“Como foi meu primeiro mundial, foi uma experiência muito boa e trouxe bagagem para desenvolver meu jogo. Além da competição, pude conhecer as pirâmides e andar de camelo”, conta Yasmim, que se apoia no incentivo do treinador para perseguir metas ainda maiores: “O que me faz continuar é saber que meu treinador vê muito potencial em mim. Quero um dia jogar os Jogos Olimpícos e estar entre as melhores do mundo”.

Além das medalhas: projeto visa transformar vidas

No comando da equipe do Rio de Janeiro nos Jogos da Juventude, Sebastião Dias voltou a demonstrar a força de um trabalho que transforma vidas e forma campeões. Mas os frutos não se limitam às três medalhas conquistadas pelo time carioca de badminton sob seu comando e da treinadora Renata Coelho. Ao equilibrar a busca por pódios com a vivência dos valores olímpicos, o treinador reafirma sua missão de vida: utilizar a raquete e a peteca para abrir caminhos, revelar talentos e formar cidadãos dentro e fora das quadras.

“A base é tudo na vida. Poder inspirar esses jovens e proporcionar essa oportunidade de inclusão social é maravilhoso. O que o Comitê Olímpico do Brasil (COB) faz aqui, nos Jogos da Juventude, é essencial”, destaca o treinador, ressaltando o papel formativo da competição.

Treinadores do Rio de Janeiro, Sebastião Dias e Renata Coelho orientam os atletas Yasmim Kethllen Nascimento e Luis Henrique Roza (de branco), na final do badminton dupla mista feminino 1ª divisão, dos Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu. Foto: Washington Alves/COB.

A trajetória de Sebastião no esporte está diretamente ligada à sua história de vida e ao impacto social. Criado em condições adversas — com vivências marcadas pelo trabalho de sua mãe e por episódios de vulnerabilidade na infância —, ele encontrou nas palavras de um professor o primeiro ponto de virada. “Ele me alertou que era preciso eu correr atrás de um trabalho que me fizesse mudar o futuro mais óbvio esperado para um jovem com as condições sociais difíceis que eu tinha. E, depois de uma noite inteira sem dormir, mudei minha conduta”, conta.

Anos depois, em 1996, ao ter contato com o badminton no Colégio Pedro II, Sebastião enxergou na modalidade uma ferramenta de transformação social, assim como aquele professor fizera por ele na juventude. Na comunidade da Chacrinha, ergueu a Associação Miratus de Badminton para afastar crianças e jovens da vulnerabilidade e do crime organizado.

Com o tempo, o projeto desenvolveu uma metodologia própria de treinamento que aliou a inclusão à excelência esportiva. “Existe o badminton no Brasil antes e depois do Sebastião, porque nós revolucionamos o esporte”, pontua. Atualmente, a Miratus atende mais de uma centena de atletas a partir dos 6 anos. Muitos deles alçam voos profissionais, contratados por outros clubes e integram as seleções brasileiras principal e de base.

Os Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu 2026 são realizados pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), com apoio da Prefeitura de Foz do Iguaçu e do Governo do Paraná; patrocínio de Vale, Neoenergia e Wizard, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte; e têm a Urbia Cataratas como Parceiro Local. O COB conta com a CAIXA e Loterias CAIXA como Patrocinadores Olímpicos Nacionais Master, e com adidas, Vale, Tigre, Vivo, Medley, Neoenergia, Wizard, Dasa, Estácio, Neodent, Mormaii e Max Recovery como Patrocinadores Olímpicos Nacionais.

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