Quando entrou em quadra nesta terça-feira (27), Sabrina Nunes tinha algo a provar, principalmente para si mesma. Depois de um 2025 que não saiu como esperava, a jovem de Urucará, município do interior do Amazonas, chegou aos Jogos da Juventude CAIXA 2026 determinada a mostrar que poderia voltar a jogar em seu melhor nível. E conseguiu.
Em uma semifinal disputada contra Minas Gerais, estado de tradição no handebol brasileiro, Sabrina foi decisiva na vitória amazonense por 29 a 25, em Foz do Iguaçu (PR). Dos 29 gols marcados pela equipe, 11 saíram de suas mãos. O resultado garantiu o Amazonas na final da segunda divisão feminina e, pela primeira vez desde a adoção do sistema de divisões, assegurou uma vaga na elite da modalidade para a edição de 2027.
“Eu me sinto muito orgulhosa de mim, porque evoluí bastante. Muita gente me conhece pelo fato de eu jogar bem, mas também foi por causa das meninas que cheguei até aqui. Se não fosse por elas, eu não estaria aqui”, contou.
A história de Sabrina com o handebol começou em 2022, quando ainda preferia jogar futebol nas ruas de Urucará. Foi na escola que recebeu o convite do treinador para experimentar uma modalidade que, até então, praticamente não conhecia.
Seu irmão, Simon, já praticava handebol e foi uma das pessoas que a incentivaram a continuar. Ao lado dos pais, Cristiane e Humberto, ele acompanha de perto a trajetória da jovem.
“Minha família me apoia desde que comecei. Meu irmão também já foi atleta e sabe como é. Eu sou muito grata por tudo, porque não cheguei até aqui sozinha”, afirmou.

De Urucará à primeira divisão
Com pouco mais de 18 mil habitantes, Urucará está localizada no interior do Amazonas, a 281 quilômetros de Manaus por via fluvial. Foi nesse município que Sabrina encontrou no handebol uma paixão que, quatro anos depois, a levaria a disputar uma final dos Jogos da Juventude.
A realidade dos treinamentos, porém, nem sempre é simples. As quadras são compartilhadas com outras modalidades e, quando não há horários disponíveis, as atletas precisam encontrar alternativas para manter a preparação.
“Tem dia que a gente consegue quadra, tem dia que não. Como também tem vôlei e futsal, precisamos encontrar um horário. Se não tiver, a gente corre na rua mesmo”, explicou Sabrina.
A conquista também representa um marco na trajetória do handebol feminino amazonense. Em 2022, quando os Jogos já adotavam o sistema de divisões, o estado foi campeão da terceira divisão e garantiu o acesso à segunda. Desde então, permaneceu nesse nível, buscando uma vaga entre as principais equipes do país.
Quatro anos depois, a equipe de Urucará conseguiu dar o próximo passo.
A campanha em Foz do Iguaçu começou com uma derrota para o Maranhão, por 27 a 26. Nos dias seguintes, porém, as amazonenses reagiram com vitórias sobre a Paraíba, por 22 a 17, e Mato Grosso do Sul, por 27 a 24, garantindo a classificação para a semifinal.

Diante de Minas Gerais, Sabrina entrou em quadra disposta a corrigir erros cometidos nas partidas anteriores. Conhecida entre as companheiras pelo apelido de “Braba”, a jovem conta que costuma transformar sua intensidade em disposição para jogar.
“Eu sempre fui assim, de dar a vida em todos os jogos. Até tenho um apelido, que é ‘Braba’. Quando fico com raiva, começo a jogar mais. Hoje entrei para consertar os erros de ontem. Tinha errado alguns tiros de sete metros e hoje acertei todos”, comemorou.
Com a vitória, o Amazonas garantiu pelo menos a medalha de prata da segunda divisão. Mais importante, porém, foi a conquista de uma das duas vagas de acesso à primeira divisão em 2027.
Uma final e muitos sonhos pela frente
Para Sabrina, a experiência nos Jogos da Juventude também vai além dos resultados. Sair de Urucará e chegar a Foz do Iguaçu representa a oportunidade de enfrentar equipes de outras regiões, conhecer atletas e conviver com jovens que compartilham a mesma paixão pelo esporte.
A diferença de temperatura, inclusive, virou motivo de brincadeira entre as amazonenses.
“Lá onde a gente mora é muito quente. Aqui, chegamos à quadra tremendo de frio. Mas estar nos Jogos é um privilégio. A gente conhece pessoas, troca pulseiras, faz amizades. Quando acaba, ficam as saudades e as memórias”, contou.
Sabrina também sonha em chegar à seleção brasileira e, quem sabe, disputar uma edição dos Jogos Olímpicos. Mas, antes de pensar tão longe, tem outro compromisso: a final da segunda divisão feminina, nesta quarta-feira (28).
“Ganhando ou perdendo, já é uma oportunidade enorme estar aqui. Chegar a uma final é uma sensação muito boa. Espero muita dedicação de todas”, afirmou.
Os Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu 2026 são realizados pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), com apoio da Prefeitura de Foz do Iguaçu e do Governo do Paraná; patrocínio de Vale, Neoenergia e Wizard, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte; e têm a Urbia Cataratas como Parceiro Local. O COB conta com a CAIXA e Loterias CAIXA como Patrocinadores Olímpicos Nacionais Master, e com adidas, Vale, Tigre, Vivo, Medley, Neoenergia, Wizard, Dasa, Estácio, Neodent, Mormaii e Max Recovery como Patrocinadores Olímpicos Nacionais.