João Pedro Oliveira experimentou a ginástica rítmica em Aracaju, mas leva Sergipe à final da ginástica artística

Jovem treinou com meninas na ginástica rítmica antes de conhecer a ginástica artística e chegar à final dos Jogos da Juventude CAIXA 2026

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Conhecida por ser a ‘capital da ginástica rítmica’ no Brasil por sediar o centro de treinamento da seleção de conjunto, Aracaju, em Sergipe, vive a modalidade. A ponto de João Pedro Oliveira ter treinado esse esporte exclusivamente feminino no alto rendimento por um ano até conhecer a ginástica artística – e garantir um bom resultado nos Jogos da Juventude CAIXA 2026.

Neste domingo, 1º de novembro, o jovem sergipano foi o único representante do Nordeste nas finais por aparelho da ginástica artística masculina. No Centro de Convivência Bubas, em Foz do Iguaçu, ficou em sexto lugar no salto com 10.075 pontos. A medalha de ouro foi de Murilo Milhado (SP) com 12.675. 

Nada mal para quem só descobriu a ginástica há três anos em Aracaju. Até então, o jovem de 15 anos praticava a ginástica rítmica. Isso mesmo, a modalidade feminina que rendeu duas medalhas de ouro para o Brasil no Mundial da modalidade em 2026 e cuja base é na mesma cidade. 

“Só tinha a rítmica lá de ginástica ou algo parecido. Tinha balé, mas não chegava perto”, explicou. “Sempre amei o mundo da ginástica. Por mais que fosse só de meninas e não de meninos, mesmo assim sempre gostei”, afirmou.  

Passou um ano completo treinando na ginástica rítmica. Experimentou o arco e as maças, porém basicamente executava movimentos corporais dedicados à flexibilidade. A ginástica rítmica masculina, ainda que praticada em alguns países como Japão e Espanha, não é uma modalidade reconhecida pela Federação Internacional de Ginástica. 

Confira aqui todas as fotos dos Jogos da Juventude CAIXA 2026.

O ponto de virada para João Pedro Oliveira surgiu um ano depois, em 2023. O professor Admilson Oliveira o descobriu e perguntou se ele queria experimentar a ginástica artística – esta sim com competições masculinas. O jovem viu um dos alunos realizando movimentos nos aparelhos. Foi amor à primeira vista. 

“Eu achei o máximo e comecei a treinar e a me dedicar. Desde então tem sido assim, o máximo de dedicação possível dentro da minha realidade”, afirmou. 

Os Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu 2026 são realizados pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), com apoio da Prefeitura de Foz do Iguaçu e do Governo do Paraná; patrocínio de Vale, Neoenergia e Wizard, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte; e têm a Urbia Cataratas como Parceiro Local. O COB conta com a CAIXA e Loterias CAIXA como Patrocinadores Olímpicos Nacionais Master, e com adidas, Vale, Tigre, Vivo, Medley, Neoenergia, Wizard, Dasa, Estácio, Neodent, Mormaii e Max Recovery como Patrocinadores Olímpicos Nacionais.

2026.11.01 - Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu - Centro de Convivência BUBAS - Ginástica Artística masculina - João Pedro Oliveira (SE) - Foto: Alexandre Loureiro/COB. IG:alexandreloureiroimagens / @timebrasil
2026.11.01 – Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu – Centro de Convivência BUBAS – Ginástica Artística masculina – João Pedro Oliveira (SE) – Foto: Alexandre Loureiro/COB. IG:alexandreloureiroimagens / @timebrasil

João Pedro Oliveira aproveita experiência dos Jogos da Juventude CAIXA

O amor pela ginástica vem desde a infância e nas brincadeiras de crianças. Gostava de se pendurar em várias coisas, pular, brincar e fazer estrelinha. “Sempre fui um menino muito arteiro”, brincou. 

O jeito, portanto, era gastar essa energia na ginástica – não importava qual. Apenas em 2022, quando tinha 11 anos, descobriu a ginástica rítmica em um projeto social no bairro Bugio, em Aracaju. Um ano depois, passou para a artística sob orientação de Admilson Oliveira na Escola de Esportes José Gerivaldo Garcia – e continua lá até hoje. 

Ainda que necessitasse de muito treino de força para adaptar o corpo de uma ginástica à outra, a evolução no novo esporte foi rápida. No primeiro ano já disputou Jogos Escolares de sua faixa etária – e conquistou medalhas em diferentes níveis. Em 2026 fez sua estreia nos Jogos da Juventude CAIXA e, além da final, foi top 10 no individual geral. 

“A gente vê coisas que normalmente no nosso dia a dia, às vezes, é muito difícil chegar perto do que tem aqui”, afirmou. “Só a experiência de participar de um evento como esse, grande, com muita estrutura, aparelhagem muito boa, já estou achando um máximo, é um sonho mesmo”, complementa. 

Por isso mesmo, não se privou de viver todas as experiências possíveis. Das ativações no Centro de Convivência até conhecer as Cataratas na parceria do Comitê Olímpico do Brasil com a Urbia+Cataratas, passando pelo Parque das Aves, João Pedro leva dos Jogos da Juventude CAIXA 2026 mais do que bons resultados. 

“É uma experiência que a gente só acreditava quando via na televisão, em filme, mas quando a gente está aqui, realmente é mais surpreendente, muito mais do que o normal”. 

2026.11.01 - Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu - Centro de Convivência BUBAS - Ginástica Artística masculina - João Pedro Oliveira (SE) - Foto: Alexandre Loureiro/COB. IG:alexandreloureiroimagens / @timebrasil
2026.11.01 – Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu – Centro de Convivência BUBAS – Ginástica Artística masculina – João Pedro Oliveira (SE) – Foto: Alexandre Loureiro/COB. IG:alexandreloureiroimagens / @timebrasil

Sonho de João Pedro Oliveira passa por legado e reconhecimento

O desafio, agora, é mudar a realidade de seus treinos para que possa seguir evoluindo na ginástica artística. 

No local em que está acostumado a treinar, a improvisação ainda é frequente. Os colchões estão todos rasgados e desgastados pelo uso. O treino de solo, por exemplo, é feito em um tatame de judô. As barras paralelas são barras de ferro enquanto a mesa para o salto também deixa evidentes marcas do tempo. 

Como representante do estado nos Jogos da Juventude CAIXA 2026, João Pedro pôde passar os últimos meses treinando no centro de excelência localizado no Bairro dos Coqueiros, com uma estrutura melhor. Porém, treina lá apenas às terças-feiras e aos sábados, além de algumas quintas-feiras.

“Só de ter classificado para a final aqui [em Foz do Iguaçu] foi uma vitória enorme. Mesmo com o mínimo consegui me classificar”, admite. 

Especialista em salto, apesar de admitir que dá medo, ele também gosta de treinar argola e barra fixa. Impulsionado por essa final, quer competir na ginástica até quando puder – e quem sabe conquistar resultados melhores no futuro. 

“Quero aproveitar o resto dos anos que eu tenho na ginástica. São mais dois anos de Jogos da Juventude e alguns anos de Campeonato Brasileiro. Quero treinar o máximo possível e ver isso sendo reconhecido. É o meu maior sonho e minha meta”, conclui.

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