Destaque nas assimétricas, Ana Clara Medeiros (RS) põe o pé na estrada por sonho na ginástica artística

Medalha de prata nas barras assimétricas nos Jogos da Juventude CAIXA 2026, jovem gaúcha viaja todos os dias para treinar

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Aos 15 anos, Ana Clara Medeiros encara uma rotina bem atribulada. Ela acorda e já pega a estrada para treinar. Retorna à cidade cnatal para estudar – depois tem mais uma viagem para a segunda parte do treinamento. Por fim, encara a rodovia e volta para casa e descansa, até repetir tudo de novo no dia seguinte. 

Tudo pelo sonho de seguir na ginástica artística. Um esforço que surtiu efeito na disputa feminina da ginástica artística nos Jogos da Juventude CAIXA 2026. Neste domingo, 1º de novembro, ela garantiu a medalha de prata nas barras assimétricas, sua especialidade. No sábado, dia 30, foi bronze no individual geral. 

O desempenho em Foz do Iguaçu foi superior em relação há dois anos, quando estreou na competição. Na edição de 2024, em João Pessoa (PB), ela foi a quinta colocada no individual geral e não pegou final de aparelho. Cada decisão tem seis ginastas e apenas uma representante por estado. 

“Foi incrível, consegui melhorar minha colocação do ano retrasado, então fiquei muito feliz”, explicou a jovem. “Agora estou mais tranquila, mais calma, então está sendo mais legal. Em 2024 foi incrível, mas esse ano está sendo ainda mais”, comentou a jovem. 

As medalhas em Foz do Iguaçu representam seu esforço, claro, mas também a dedicação de toda a família pelo sucesso da jovem. Ana Clara Medeiros mora em Cachoeirinha, na região metropolitana de Porto Alegre. A cidade, porém, não tem equipe nem instalações para a prática da ginástica. 

A solução? Levá-la todos os dias até o Grêmio Náutico União em Porto Alegre, um dos clubes esportivos mais tradicionais do Rio Grande do Sul. 

São trinta minutos de carro na ida e mais trinta na volta em situações normais de trânsito. O trajeto precisa ser feito duas vezes, uma logo de manhã e outra no fim de tarde. Entre as atividades, ela cursa o ensino médio em Cachoeirinha. 

“Minha dinda [madrinha] me leva todos os dias de manhã e meu pai ajuda também”, garante. “Quando tem trânsito dá uma hora de viagem, mais ou menos, é bem cansativo mesmo”, explica.

Os Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu 2026 são realizados pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), com apoio da Prefeitura de Foz do Iguaçu e do Governo do Paraná; patrocínio de Vale, Neoenergia e Wizard, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte; e têm a Urbia Cataratas como Parceiro Local. O COB conta com a CAIXA e Loterias CAIXA como Patrocinadores Olímpicos Nacionais Master, e com adidas, Vale, Tigre, Vivo, Medley, Neoenergia, Wizard, Dasa, Estácio, Neodent, Mormaii e Max Recovery como Patrocinadores Olímpicos Nacionais.

2026.11.01 - Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu - Centro de Convivência BUBAS - Ginástica Artística feminina - Ana Clara Medeiros (RS) - Foto: Alexandre Loureiro/COB. IG:alexandreloureiroimagens / @timebrasil
2026.11.01 – Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu – Centro de Convivência BUBAS – Ginástica Artística feminina – Ana Clara Medeiros (RS) – Foto: Alexandre Loureiro/COB. IG:alexandreloureiroimagens / @timebrasil

Ana Clara Medeiros se inspirou no Rio 2016 e se especializou nas assimétricas

Quando criança, Ana Clara Medeiros fazia balé. Até que aos cinco anos se recorda de assistir às provas de ginástica artística nos Jogos Olímpicos Rio 2016, com show de Simone Biles, Gabby Douglas e companhia. Ficou encantada pelos movimentos do esporte e pediu à mãe, Camila, para fazer aulas no lugar da dança. 

“Não gostava muito [de balé] e aí eu vi a ginástica na TV e me apaixonei”, brincou. 

A questão é que não existiam clubes de ginástica artística em Cachoeirinha, onde ela mora até hoje com a família. O jeito era levar a menina até Porto Alegre, capital do Rio Grande do Sul, para conhecer de perto o esporte. Não só conheceu como se adaptou rapidamente. Passou em uma peneira e começou na equipe do Sogipa. Posteriormente foi para o Grêmio Náutico União. 

Lá, se especializou em um aparelho pouco usual para as ginastas brasileiras: as barras assimétricas. Tornou-se uma das jovens promessas do país. Nos Jogos da Juventude CAIXA 2026 teve a segunda maior nota do aparelho no individual geral e o ouro na final só escapou por duas passadas a mais na saída. 

“É um aparelho que gosto de treinar, gosto de fazer elementos novos e é o que eu acho mais bonito de acompanhar”, explicou. 

Confira aqui todas as fotos dos Jogos da Juventude CAIXA 2026.

Com duas medalhas em Foz do Iguaçu, segue em busca de seu espaço e de se consolidar na seleção brasileira. Neste ano, por exemplo, foi campeã brasileira juvenil no solo e quinta no salto, além de décima no individual geral – nos Jogos da Juventude CAIXA ficou à frente de muitas de suas colegas. Assim, quem sabe, pode realizar seu maior sonho. 

“Todo mundo quer um dia chegar nas Olimpíadas, né? Eu acho que tenho que treinar bastante para isso e continuar trabalhando que uma hora a gente vai chegar”, concluiu. 

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