Todo mundo, em algum momento da vida, já pensou em desistir de alguma coisa. Seja por medo, insegurança ou por acreditar que ainda não está preparado para enfrentar determinado desafio. Mas e quando a oportunidade que estamos prestes a deixar passar pode mudar completamente o rumo da nossa história?
Foi justamente essa situação que Brenno Henry, de 17 anos, viveu ao receber um convite para representar o Pará nos Jogos da Juventude CAIXA 2026, em Foz do Iguaçu. Morador de Breu Branco, no interior do estado, o jovem estava acostumado a jogar basquete em uma pequena quadra de cimento e nunca havia disputado uma competição nacional. Diante da experiência dos futuros companheiros, começou a questionar se conseguiria acompanhar o nível da equipe.
A mensagem recusando o convite já estava praticamente pronta quando sua mãe, Cleide, percebeu o que estava acontecendo. Ela não deixou que o filho enviasse a resposta.
Pouco tempo depois, Brenno desembarcou em Foz do Iguaçu, para disputar sua primeira competição nacional e celebrando, ao lado dos companheiros, a classificação do Pará à final da terceira divisão e o acesso à segunda divisão em 2027.
“Eu já estava com o texto pronto para recusar, porque não achava que tinha capacidade para jogar um campeonato desse nível. Minha mãe passou atrás de mim, viu e não deixou que eu recusasse de jeito nenhum. Hoje fico pensando como isso passou pela minha cabeça”, relembrou.
Uma paixão que começou em Breu Branco
Nascido em Tucuruí, Brenno cresceu em Breu Branco, onde vive com a mãe. Durante boa parte da infância, o futebol foi seu esporte preferido. Até que, aos 13 anos, um professor de educação física percebeu sua altura e o convidou para experimentar o basquete. E bastou começar a jogar para que a modalidade passasse a fazer parte de praticamente todos os seus dias.
Na cidade onde mora, porém, as oportunidades eram limitadas. Sem uma quadra completa para partidas de cinco contra cinco, Brenno treinava em um espaço de cimento, com um aro sem rede, e participava de peladas de três contra três com adultos da região.
“Lá não tem uma quadra grande para jogar cinco contra cinco. A gente joga mais três contra três, com pessoas mais velhas, de 20, 22, 25 anos. Parece uma coisa ruim, mas tenho que agradecer, porque me acostumei a jogar com caras mais fortes e pesados”, contou.
Depois de ingressar no Instituto Federal do Pará (IFPA), em Tucuruí, Brenno passou a se dedicar ainda mais ao basquete, conciliando os estudos com uma rotina frequente de treinos. Foi representando a instituição nos Jogos dos Institutos Federais que o jovem conquistou o título com sua equipe e chamou a atenção pelo desempenho em quadra.
Alguns vídeos de suas jogadas, incluindo enterradas, chegaram ao treinador Marcelo, de Belém, que viu no jovem um potencial para integrar a seleção paraense nos Jogos da Juventude CAIXA 2026 e decidiu convidá-lo para fazer parte da equipe.

O chamado, no entanto, trouxe uma mistura de entusiasmo e apreensão. Enquanto Brenno estava acostumado às partidas informais em Breu Branco, seus futuros companheiros já acumulavam experiências em campeonatos nacionais.
“Eu fiquei muito nervoso. Pensava que no vídeo era uma coisa, mas jogar pessoalmente seria outra. Os meninos já tinham experiência em campeonatos brasileiros, e eu não achava que conseguiria acompanhar”, contou.
Depois que Cleide o convenceu a aceitar, surgiu outro desafio: conhecer os novos companheiros e se preparar para a competição. Como mora a cerca de oito horas de ônibus de Belém, Brenno conseguiu viajar apenas três vezes para treinar com a equipe, conciliando os deslocamentos com as atividades escolares.
“Eu tinha o receio de que os meninos não iam me receber bem, porque eu era de fora. Mas estava completamente enganado. Eles são incríveis. Jogar com eles foi uma das melhores coisas que aconteceram na minha vida”, afirmou.
Uma final que parecia distante
Em Foz do Iguaçu, Brenno encontrou uma estrutura de competição diferente daquela à qual estava acostumado. Pela primeira vez, disputou partidas de basquete em um evento nacional, diante de adversários de outros estados e ao lado de companheiros que, até pouco tempo antes, sequer conhecia.
A campanha paraense teve seus desafios. Na estreia, a equipe foi superada pelo Rio Grande do Norte por 51 a 45, mas reagiu na partida seguinte com uma vitória por 112 a 52 sobre o Amazonas. Na semifinal, venceu Goiás por 67 a 35, garantindo a classificação para a decisão e o acesso à segunda divisão dos Jogos da Juventude em 2027.
Nesta terça-feira (3), às 16h30, Brenno e seus companheiros terão pela frente novamente o Rio Grande do Norte, desta vez valendo o título da terceira divisão. Uma oportunidade de reencontrar o adversário que os derrotou na estreia e encerrar a competição com a medalha de ouro.
“Chegar à final é a realização de um sonho. É saber que estou fazendo história junto com esses meninos. Já conseguimos subir para a segunda divisão, mas agora queremos ser campeões”, destacou.

O basquete também mudou a maneira como Brenno passou a encarar os próprios objetivos. A modalidade o incentivou a se dedicar mais aos treinamentos, à preparação física e a buscar melhorias constantes em seu desempenho.
“Se eu pudesse conversar com o meu eu do passado, diria para ele não desistir e jogar ainda mais. Treinar mais do que eu já treinei, porque os momentos em quadra são muito bons. Estou sempre pensando em melhorar”, afirmou.
Os Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu 2026 são realizados pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), com apoio da Prefeitura de Foz do Iguaçu e do Governo do Paraná; patrocínio de Vale, Neoenergia e Wizard, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte; e têm a Urbia Cataratas como Parceiro Local. O COB conta com a CAIXA e Loterias CAIXA como Patrocinadores Olímpicos Nacionais Master, e com adidas, Vale, Tigre, Vivo, Medley, Neoenergia, Wizard, Dasa, Estácio, Neodent, Mormaii e Max Recovery como Patrocinadores Olímpicos Nacionais.