Antes da dupla do Pará pisar na areia para enfrentar o Distrito Federal na decisão do título da segunda divisão do vôlei de praia feminino nos Jogos da Juventude CAIXA, a paraense Tifani Carvalho recebeu um sinal que aumentou sua confiança. “Ontem, foi o Dia de Finados, a minha mãe já morreu e eu sonhei com ela. Sonhei que a gente tinha ganhado. Até falei pra minha parceira Caroline que o ouro seria nosso, porque minha mãe estava nos abençoando lá do lado do céu”, conta.
A partida foi acirrada, com direito a virada e tie-break. No fim, prevaleceu a garra das paraenses Tifani e Caroline Vieira, garantindo a medalha de ouro para o estado. Para Tifani, o diferencial para saírem campeãs foram o saque e a resistência física conquistada em uma rotina intensa de preparação realizada todos os dias na praia, debaixo de sol quente, às 16h.
Apesar da intensidade do treino, a dupla tem o privilégio de se preparar em um dos cartões-postais de Mocajuba: as praias de água doce formadas às margens do caudaloso Rio Tocantins. Nos momentos de intervalo, outro grande atrativo é a possibilidade de tomar banho de rio e, com sorte, avistar ou nadar próximo a botos que frequentam a região.

“A gente veio do interior de Mocajuba, no Pará. É muito gratificante chegar aqui na final”, comemora Tifani. Feliz em representar o Pará, a atleta ressalta a cultura do seu estado, assim como a importância que o esporte desempenhou no seu processo de luto.
A jogadora começou no vôlei de praia um ano após a perda da mãe, inspirada pelo irmão, que praticava a modalidade em um projeto social. “Tenho cinco anos de saudade da minha mãe. O esporte me ajudou muito a superar e a viver um luto saudável. Hoje, tenho a cabeça bastante firme e a minha mentalidade mudou”, diz Tifani.
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Em sua segunda participação nos Jogos da Juventude — após um quinto lugar na edição anterior —, Tifani se despede da competição sub-17 no lugar mais alto do pódio. “Neste ano eu vim querendo ganhar mesmo. A Caroline me ajudou muito a crescer. É uma sensação incrível, uma emoção inexplicável levar esse ouro para o Pará”, completou a campeã.

A parceria em quadra também teve como pilar a dedicação de Caroline Vieira, 15 anos. Praticante do esporte desde os oito anos no projeto do professor Choroca — também por influência da irmã —, ela disputou os Jogos da Juventude pela primeira vez. Para ela, o desejo de dar o ouro de presente no ano de despedida de Tifani superou o nervosismo da estreia e o desgaste de encarar o primeiro tie-break do torneio.
“Eu tinha vontade de jogar com a Tifani desde criança. Como é o último ano dela nos Jogos da Juventude, eu queria muito realizar o sonho de ver ela ser medalhista de ouro, por isso dei o meu melhor no jogo. No início, eu senti a pressão por ser a minha primeira final, mas no tie-break, quando ela ficou nervosa, pensei que ganharia para realizar o sonho dela”, revelou Caroline, que aproveitou os momentos de folga em Foz do Iguaçu para curtir a atmosfera do evento e tietar a mascote Bamba.
Os Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu 2026 são realizados pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), com apoio da Prefeitura de Foz do Iguaçu e do Governo do Paraná; patrocínio de Vale, Neoenergia e Wizard, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte; e têm a Urbia Cataratas como Parceiro Local. O COB conta com a CAIXA e Loterias CAIXA como Patrocinadores Olímpicos Nacionais Master, e com adidas, Vale, Tigre, Vivo, Medley, Neoenergia, Wizard, Dasa, Estácio, Neodent, Mormaii e Max Recovery como Patrocinadores Olímpicos Nacionais.