No esporte, ganhar é importante, mas marcar sua trajetória com os valores sociais e esportivos é ainda melhor. Esse é um dos lemas que a Escola Municipal Anne Frank de Palmas, no Tocantins, trouxe para o basquete feminino nos Jogos da Juventude CAIXA 2026 em Foz do Iguaçu (PR).
O estado bem que tentou, mas não segurou o ímpeto da Paraíba na final da 3ª divisão. Na decisão desta temporada, as paraibanas impuseram um ritmo forte desde o início da partida e venceram por 59 a 31. Os dois times garantiram o acesso à segunda divisão em 2027. O Rio Grande do Norte levou bronze ao vencer o Amapá por 54 a 39.
A vitória pode até não ter vindo, mas cada atleta e integrante da comissão técnica carrega valores poderosos. A escola carrega o nome da menina judia que virou símbolo do Holocausto e da luta por direitos humanos graças ao seu diário, um dos livros mais traduzidos e lidos em todo o mundo.
“Anne Frank é um nome mundial e tem uma força inacreditável, incrível. Eu acredito até que ela esteja lá em cima e quando vê a gente jogando, dá uma força em quadra”, afirmou o técnico Roberto Consales, responsável pelo projeto de basquete da escola e treinador da equipe feminina em Foz do Iguaçu.
Não se trata de uma mera bravata. A Escola Municipal Anne Frank virou referência em Palmas no ensino fundamental (até o nono ano), por meio de projetos culturais, artísticos e científicos. Em todas as iniciativas, a busca por valores como liberdade, paz e convivência fica em evidência.
No esporte, especificamente, tal discurso entra em consonância com os valores olímpicos de amizade, respeito e excelência – o que se traduz em ótimo desempenho dentro e fora de quadra. Nesta temporada, por exemplo, a escola representou o estado nos dois gêneros nos Jogos Escolares (12 a 14 anos) e na participação feminina dos Jogos da Juventude.
“Nunca imaginaram a força que esse nome tem e traz. Somos uma escola de referência. Tem a participação da própria Anne Frank ajudando no dia a dia e no crescimento da escola”, complementou.
Os Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu 2026 são realizados pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), com apoio da Prefeitura de Foz do Iguaçu e do Governo do Paraná; patrocínio de Vale, Neoenergia e Wizard, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte; e têm a Urbia Cataratas como Parceiro Local. O COB conta com a CAIXA e Loterias CAIXA como Patrocinadores Olímpicos Nacionais Master, e com adidas, Vale, Tigre, Vivo, Medley, Neoenergia, Wizard, Dasa, Estácio, Neodent, Mormaii e Max Recovery como Patrocinadores Olímpicos Nacionais.

Técnico visitou Casa Anne Frank em Amsterdã e encantou diretores
No início de 2026, o técnico Roberto Consales teve a chance de apresentar o projeto de basquete da Escola Anne Frank diretamente à equipe da Casa Anne Frank em Amsterdã, nos Países Baixos. Uma oportunidade que só se tornou possível após ele mostrar como a memória da jovem também era lembrada na capital do Tocantins.
Ao passear com a esposa no país europeu, ele resolveu visitar o local, mas não encontrou ingresso disponível. Conversando com os funcionários, informou que trabalhava numa escola do Brasil que levava o nome da jovem. Ninguém acreditou.
A incredulidade só foi vencida quando mostrou fotos e vídeos, inclusive da equipe gritando o nome da escola antes de cada partida.
“Quando eles começaram a ver aquilo, chamaram os demais funcionários do museu. Naquele momento eles ficaram muito emocionados”, garantiu Roberto.
Sem ingresso, os próprios diretores o convidaram a visitar todos os espaços da casa e explicar como funcionava o projeto de basquete e as demais iniciativas da Escola Anne Frank. Voltou ao Brasil com a certeza de que está no caminho certo para honrar esse nome.
“Eu acho que a missão dela realmente foi fazer com que seu nome fosse adiante e levar o holocausto por todo tempo para que não se repita nunca mais uma situação como essa”, complementou.

Técnico de Tocantins anuncia aposentadoria com ‘missão cumprida’
Roberto Consales dedicou sua vida ao basquete escolar no Tocantins. Coordena a modalidade na Escola Anne Frank, cujo foco principal são adolescentes de 12 a 14 anos. Lá, também dá treinos de basquete para adolescentes de 15 a 17 anos no período da noite e conta com uma escolinha para crianças de 8 a 11 anos.
Isso permitiu montar uma estrutura capaz de retroalimentar as equipes para competições, ao mesmo tempo que incentiva a presença destes jovens no ambiente escolar, combinando mais uma vez o ensino com a prática esportiva.
Entre diferentes idades e competições, foram 12 Jogos Escolares com o time feminino e seis com o masculino. Uma trajetória de respeito no cenário tocantinense, mas que ele garante ter chegado ao fim. A disputa dos Jogos da Juventude CAIXA 2026 foi sua última experiência como treinador na quadra.
“Agora é vida que segue, estou encerrando minha campanha agora, me aposentando das quadras. Tive a oportunidade de vir aqui em Foz do Iguaçu e encerrar”, afirma.
O título não veio, mas a despedida ainda assim foi em grande estilo, com o acesso à segunda divisão garantido. Um final feliz para sua carreira dentro das competições.
“Levamos para a segunda divisão com muito esforço e muita dedicação. Eu acho que coroa todo um trabalho feito durante anos e anos. Então estou extremamente satisfeito e muito feliz dessa premiação final”, conclui.