Programa de Observadores amplia oportunidades para atletas nos Jogos da Juventude CAIXA

Iniciativa do COB reúne profissionais de 12 modalidades para identificar talentos, avaliar o desenvolvimento esportivo e aproximar as confederações de atletas de todo o Brasil

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Nem sempre uma medalha é o único resultado que um atleta pode levar dos Jogos da Juventude CAIXA 2026. Em meio às disputas realizadas em Foz do Iguaçu (PR), profissionais das confederações brasileiras acompanham os jovens competidores em busca de características que vão além do desempenho imediato, observando aspectos técnicos, físicos e o potencial de desenvolvimento de cada um.

Esse é o trabalho do Programa de Observadores, iniciativa do Comitê Olímpico do Brasil. O objetivo é aproximar as equipes técnicas das confederações de atletas que, muitas vezes, ainda não participam regularmente do calendário nacional de suas modalidades.

“O programa busca trazer profissionais das áreas técnicas das confederações para observar não apenas os atletas que já participam do calendário nacional, mas também aqueles que ainda não foram acompanhados ou nem fazem parte do sistema federativo. A avaliação considera tanto a questão técnica quanto características físicas e o potencial de desenvolvimento”, explicou Arthur Correa, gestor de esporte do COB.

Nesta edição, o trabalho conta com observadores técnicos em 12 modalidades: atletismo, remo, judô, triatlo, voleibol, natação, ginástica rítmica, ginástica artística feminina e masculina, basquetebol, wrestling e esgrima.

O olhar além dos resultados

No judô, a observação dos jovens atletas já está diretamente relacionada ao planejamento das categorias de base. Além de acompanhar o desempenho técnico dos competidores, a modalidade utiliza os Jogos da Juventude como parte do processo de classificação para a temporada seguinte.

Maria Portela, técnica da Seleção Brasileira Cadetes da modalidade, explica que a competição permite identificar atletas de estados que nem sempre conseguem participar das principais disputas do circuito nacional.

“É uma oportunidade de visualizar atletas que normalmente não participam do nosso circuito. Além disso, conseguimos avaliar as questões técnicas, os tipos de ataques e o que está sendo desenvolvido nessa faixa etária. É muito interessante perceber o quanto os atletas evoluem de um ano para o outro”, destacou.

Maria Portela esteve nos duelos de judô. Foto: William Lucas/COB.

No judô, os Jogos da Juventude também representam a primeira oportunidade de pontuação para o ranking da classe cadete da temporada seguinte. Os quatro medalhistas de cada categoria recebem posições de cabeça de chave na primeira competição do circuito, o Troféu Brasil Fase 1. A pontuação acumulada pode influenciar, posteriormente, os processos classificatórios para competições internacionais, incluindo os Campeonatos Mundiais da categoria.

“Esse acompanhamento é importante porque, quando os atletas chegam à seleção, já temos um direcionamento sobre suas características. Não é a primeira vez que estamos tendo contato com eles, o que facilita tanto o diálogo quanto o trabalho técnico”, explicou Maria.

Confira aqui todas as fotos dos Jogos da Juventude CAIXA 2026.

Lorana Schwantes reafirmou a importância dos Jogos da Juventude CAIXA para colocar atletas de todo o país em contato direto com esportistas de Minas Gerais, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul e São Paulo, estados que já integram o circuito nacional da modalidade.

“Nos estados em que a modalidade é mais recente, os atletas encontram-se em outra etapa de desenvolvimento, e os Jogos permitem evidenciar essa diferença de forma concreta. A atuação dos observadores possibilita identificar atletas com potencial, considerando não apenas o nível técnico, mas também a postura competitiva, a leitura de jogo e a evolução ao longo da competição. Além da identificação de talentos, o programa produz um diagnóstico do estágio atual da modalidade no país e indica onde é necessário investir em formação, subsidiando técnicos e federações no planejamento dos próximos passos”.

Ela também destacou a importância da participação dos atletas ao retornarem a seus estados, onde podem impulsionar o surgimento de novos talentos e contribuir para o desenvolvimento de programas de formação.

“Outro aspecto relevante é a visibilidade da modalidade: ao acompanharem a competição, os estados que ainda não estão representados podem perceber a importância de incluir a esgrima em seu cenário esportivo”, acrescenta a observadora técnica da esgrima.

No wrestling, o programa também permite avaliar aspectos da própria competição e identificar necessidades de desenvolvimento entre atletas e treinadores.

Técnico da seleção feminina brasileira, Pedro Rojas acompanhou as disputas em Foz do Iguaçu e destacou a importância de observar o evento por diferentes perspectivas.

“É um programa muito importante porque permite olhar a competição de outra perspectiva e identificar aspectos que podem ser melhorados para o próximo ano. Também considero este um cenário muito bom para identificar treinadores que precisam de capacitação”, afirmou.

Formação e desenvolvimento esportivo

Em 2026, o Programa de Observadores também ampliou sua atuação com a participação inédita de diretores técnicos das confederações. Ao todo, profissionais de 14 modalidades foram convidados a acompanhar a competição com um olhar mais estratégico sobre a formação de atletas e treinadores.

“Queremos entender como as confederações podem ajudar o evento a melhorar tecnicamente e como os Jogos podem contribuir para desenvolver atletas, treinadores e identificar novos talentos. Cada modalidade tem uma realidade diferente, e buscamos esse alinhamento individualmente”, explicou Arthur.

Além do acompanhamento das competições, a programação incluiu atividades de formação e atualização técnica. Entre os temas abordados estiveram as mudanças nas categorias Youth e Júnior do triatlo a partir de 2027, a evolução dos atletas sub-18 no atletismo, o desenvolvimento de carreira no taekwondo e clínicas técnicas de remo e esgrima.

As iniciativas ampliam o contato entre profissionais de diferentes regiões do país e oferecem oportunidades de atualização para treinadores que acompanham as delegações estaduais.

“A clínica teve como objetivo aproximar técnicos de diferentes estados, que atuam em realidades muito distintas, promovendo a troca de experiências e oferecendo ferramentas práticas para o desenvolvimento da esgrima em suas regiões. Também buscamos fortalecer uma rede de contato entre esses profissionais, favorecendo o apoio mútuo mesmo após o evento”, explicou Lorana Schwantes, observadora da esgrima nos Jogos.

Lorana Schwantes ao lado do presidente da CBE Aron Schneider. Foto: Washington Alves/COB

O trabalho desenvolvido durante os Jogos também pode ter continuidade depois do encerramento das disputas. Segundo Arthur, algumas confederações já utilizam a competição como parte dos processos seletivos para equipes nacionais, enquanto outras realizam estágios de treinamento com atletas identificados durante o evento.

“Algumas modalidades utilizam os Jogos como parte da classificação para seleções nacionais ou para pontuação em rankings. Outras promovem períodos de treinamento com atletas observados aqui. O triatlo e o wrestling, por exemplo, aproveitam bastante essas oportunidades”, destacou.

Os Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu 2026 são realizados pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), com apoio da Prefeitura de Foz do Iguaçu e do Governo do Paraná; patrocínio de Vale, Neoenergia e Wizard, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte; e têm a Urbia Cataratas como Parceiro Local. O COB conta com a CAIXA e Loterias CAIXA como Patrocinadores Olímpicos Nacionais Master, e com adidas, Vale, Tigre, Vivo, Medley, Neoenergia, Wizard, Dasa, Estácio, Neodent, Mormaii e Max Recovery como Patrocinadores Olímpicos Nacionais.

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