A venezuelana Daniela Rondón vive no Brasil desde os 10 anos, quando veio com a mãe fugindo da crise financeira e política de seu país natal. Em Puerto Ordaz, Dani já era apaixonada por futebol e adorava jogar nos campinhos de areia, mas também enfrentava o preconceito por ser menina em um ambiente predominantemente masculino, uma experiência que já ficou para trás. Aos 17 anos, Dani é um dos destaques do time de Santa Catarina, que garantiu vaga na final contra o Paraná, pela 1ª divisão do futsal feminino nos Jogos da Juventude CAIXA.
Após atravessar a fronteira brasileira e morar por um ano em Roraima, mãe e filha mudaram-se para Caxias do Sul (RS), onde Dani conheceu a quadra de futsal nas aulas de Educação Física da escola. Desde então, a habilidade com a bola nos pés lhe abriu portas até chegar à Associação Pinhalense de Futsal Feminino (Apeff), projeto de base que forma o elenco catarinense na competição nacional e que já impulsionou jogadoras para o cenário profissional, como Pati Maldaner, zagueira do Palmeiras e da seleção brasileira.
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Em quadra, Dani é uma jogadora de coletivo, que diz até preferir dar assistências a fazer gols. Com um jeito aguerrido durante as partidas e acolhedor fora das quatro linhas, a atleta vai cravando seu nome na história da Apeff. Em 2025, a ala venezuelana integrou o elenco que conquistou de forma invicta o Campeonato Mundial Escolar Sub-18 de futsal feminino. Agora, é peça fundamental da campanha catarinense para buscar o lugar mais alto do pódio nos Jogos da Juventude CAIXA.
“É uma sensação muito gostosa estar na final. Eu já estava confiante de que o nosso time chegaria lá, porque tem qualidade para isso, e espero que a gente saia com o troféu para casa”, comemora a camisa 5 de Santa Catarina. Para além da busca pela medalha de ouro, cada passe ou roubada de bola na quadra carrega um propósito maior:

O técnico Cleto Schuster reforça a confiança na evolução da atleta e destaca a função social e estrutural do projeto. “A Dani é uma pessoa extraordinária e muito obediente taticamente. É guerreira, dribla muito bem e bate na bola com as duas pernas. Ela tem um futuro brilhante pela frente e abrirá portas para que meninas de outros estados ou até países vejam que nosso projeto está de portas abertas. Fico feliz em dar essa oportunidade para meninas que merecem. No futuro, elas podem se formar como atletas e como cidadãs”, destaca o treinador.
Um dos diferenciais do projeto de Pinhalzinho é o desenvolvimento integrado entre futsal e futebol de campo, direcionando as atletas de acordo com suas características após completarem 18 anos. Nos gramados, a equipe disputou o Campeonato Brasileiro Feminino Sub-17 contra clubes como Corinthians, Internacional, Grêmio, Vasco e São Paulo, além de alcançar as semifinais do estadual adulto.

Fora de quadra, a inspiração de Dani é a mãe, Mareglys Calderón, sua companheira de jornada e maior apoiadora desde a saída da Venezuela. Em meio à emoção de ver os primeiros frutos colhidos nas quadras brasileiras, a jovem ala segue firme no objetivo de transformar os gramados e as quadras no reencontro e no recomeço de sua família.
“Quero me profissionalizar no futebol para dar uma condição de vida melhor para a minha mãe e conseguir trazer minha irmã para morar aqui comigo. Sinto muita saudade dela. Queria ter esse amor de irmão por perto. O futebol é a oportunidade de mudar a nossa vida”, almeja Dani Rondón, como é chamada.
Os Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu 2026 são realizados pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), com apoio da Prefeitura de Foz do Iguaçu e do Governo do Paraná; patrocínio de Vale, Neoenergia e Wizard, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte; e têm a Urbia Cataratas como Parceiro Local. O COB conta com a CAIXA e Loterias CAIXA como Patrocinadores Olímpicos Nacionais Master, e com adidas, Vale, Tigre, Vivo, Medley, Neoenergia, Wizard, Dasa, Estácio, Neodent, Mormaii e Max Recovery como Patrocinadores Olímpicos Nacionais.