Will & Will levam a influência de circo cearense para o vôlei de praia dos Jogos da Juventude CAIXA

Idealizado pelo treinador e artista circense Pedro Lopes, trabalho desenvolvido em Jijoca de Jericoacoara utiliza malabares, acrobacias e atividades lúdicas na formação de atletas e será representado em Foz do Iguaçu por Will Vasconcelos e William Ferreira

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Malabares, acrobacias e palhaçaria. Atividades que costumamos encontrar em um picadeiro, mas que, em Jijoca de Jericoacoara, no Ceará, também fazem parte dos treinamentos de vôlei de praia. A ideia é do professor Pedro Lopes, que encontrou nas técnicas circenses uma maneira de desenvolver habilidades importantes para os atletas, como concentração, coordenação motora e força.

A mistura pode parecer inusitada, mas já faz parte da rotina dos jovens atendidos pelo Centro de Treinamento Social Alchymist de Vôlei de Praia. Entre eles estão Will Vasconcelos e William Ferreira, ambos de 17 anos, que representam o Ceará nos Jogos da Juventude CAIXA 2026, em Foz do Iguaçu (PR).

A história começou em 2017, quando Pedro chegou a Jericoacoara para trabalhar com um projeto social de circo. Treinador de voleibol desde 1993 e também professor de atividades circenses, ele logo percebeu que, apesar das praias e da tradição nos esportes de vento, o vôlei ainda era pouco praticado pela comunidade.

“Quando cheguei, praticamente não havia voleibol. Eu já trabalhava com circo, mas fiquei pensando como poderia morar em um lugar daqueles sem ter o esporte de que tanto gostava”, relembrou.

Com o apoio do grupo Alchymist e da Federação Cearense de Voleibol, Pedro desenvolveu um projeto social para apresentar a modalidade às crianças e aos adolescentes da região. E, como o circo já fazia parte de sua trajetória, decidiu aproveitar elementos das duas atividades.

Os Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu 2026 são realizados pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), com apoio da Prefeitura de Foz do Iguaçu e do Governo do Paraná; patrocínio de Vale, Neoenergia e Wizard, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte; e têm a Urbia Cataratas como Parceiro Local. O COB conta com a CAIXA e Loterias CAIXA como Patrocinadores Olímpicos Nacionais Master, e com Adidas, Vale, Tigre, Vivo, Medley, Neoenergia, Wizard, Dasa, Estácio, Neodent, Mormaii e Max Recovery como Patrocinadores Olímpicos Nacionais.

Quando o circo entra em quadra

Durante os treinamentos, os malabares ajudam a trabalhar a concentração e a coordenação motora, fundamentais para controlar os movimentos durante uma partida de vôlei de praia. As acrobacias, por sua vez, são utilizadas para desenvolver força, especialmente nos membros superiores.

Mas nem tudo é preparação física. A palhaçaria e as atividades recreativas também têm espaço nas aulas, permitindo que os jovens se divirtam enquanto desenvolvem outras habilidades.

“Os malabares exigem um nível alto de concentração e ajudam na coordenação motora fina. Temos também as acrobacias, que trabalham a força, e a palhaçaria, em que os meninos conseguem se soltar mais. Tudo isso complementa o voleibol”, explicou Pedro.

Will e William conhecem bem essa metodologia. Os dois começaram a praticar vôlei de praia por influência de amigos e, desde 2023, formam a dupla que hoje representa o Ceará nas competições.

“Quando a gente faz malabares, precisa se concentrar bastante. Isso ajuda na coordenação motora, que é muito importante no vôlei de praia. Você precisa acertar a passada, o tempo da bola e o ataque”, explicou Will.

Os exercícios circenses são realizados pontualmente, como complemento à preparação esportiva. E, para os atletas, a proposta também torna os treinamentos mais divertidos.

Em uma das atividades, por exemplo, Pedro divide os jogadores em grupos, distribui números e coloca um chinelo no centro da quadra. Ao ouvir seu número, cada participante precisa correr para pegar o objeto antes do adversário.

“Tem hora que fica três contra três, todo mundo tentando pegar o chinelo e correr para o lado. É muito legal”, contou William.

Uma oportunidade para ir mais longe

Desde que o projeto começou a ganhar espaço na região, seus atletas passaram a conquistar resultados em competições estaduais e nacionais. Segundo Pedro, a iniciativa acumula títulos cearenses em diferentes categorias, além de um vice-campeonato brasileiro sub-17, conquistado pela dupla que disputa os Jogos da Juventude.

William também recebeu uma convocação para a seleção brasileira de base, uma oportunidade que, poucos anos antes, parecia distante de sua realidade.

“Quando recebi a notícia, fiquei muito feliz. Deu vontade de chorar, mas segurei. Depois fui contar para a minha família. Sou muito grato ao meu treinador e a todo mundo que me ajudou a chegar até aqui”, contou.

Os resultados esportivos, porém, representam apenas uma parte do trabalho desenvolvido em Jijoca de Jericoacoara. O projeto também proporcionou bolsas de estudo e oportunidades profissionais para jovens da região. Para alguns, o vôlei de praia foi responsável pela primeira viagem até Fortaleza ou pela primeira experiência em um avião.

“Não existe um bom professor sem um bom aluno. Ver esses meninos conquistando coisas que antes pareciam tão distantes é uma alegria muito grande. O principal objetivo do projeto é a transformação social, oferecer oportunidades que vão além do esporte”, destacou Pedro.

Aos 17 anos, Will e William vivem sua segunda e última participação nos Jogos da Juventude. Para a dupla, a competição representa a oportunidade de enfrentar atletas de diferentes regiões do Brasil e aproveitar uma estrutura esportiva que nem sempre está disponível em outros torneios.

“Para mim, o esporte é a base de tudo. Aprendi disciplina, que não posso chegar atrasado aos treinos e que, se eu continuar me dedicando, posso alcançar meus objetivos. São coisas que vou levar para a vida”, contou Will.

Em Jericoacoara, onde os meninos cresceram cercados por praias, lagoas e dunas, o vôlei de praia acabou se tornando parte de suas vidas. E, graças a um professor que decidiu levar um pouco do picadeiro para os treinamentos, descobriram que os malabares também tinham muito a ensinar sobre o esporte. Agora, nos Jogos da Juventude, a dupla Will & Will leva consigo um pouco dessa experiência, construída entre bolas, areia e malabarismos.

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