Existem experiências que mudam a maneira como enxergamos o mundo. Algumas lições chegam com o passar dos anos, quando já acumulamos histórias suficientes para compreender determinadas situações. Outras, porém, aparecem muito antes do que imaginamos. Foi o que aconteceu com Heitor Rieff.
Aos 15 anos, o jovem de Mato Grosso do Sul embarcou para Caracas, na Venezuela, com o objetivo de disputar uma etapa do circuito mundial juvenil de tênis de mesa. O que deveria ser mais uma oportunidade de ganhar experiência internacional, no entanto, acabou se transformando em um dos episódios mais marcantes de sua existência.
Dois terremotos atingiram o país e provocaram o cancelamento da competição. Heitor voltou ao Brasil em segurança. Mas trouxe consigo algo que não esperava encontrar naquela viagem: uma nova maneira de enxergar a vida e de valorizar cada momento dela.
“Foi uma situação muito complicada. Mexe bastante com o nosso emocional, com muita coisa dentro da gente que às vezes não esperamos”, relembrou.
Quase quatro meses depois, Rieff está em Foz do Iguaçu, onde disputa os Jogos da Juventude CAIXA 2026. É sua segunda e última participação no evento, agora com uma compreensão diferente sobre o valor de cada experiência que o esporte pode proporcionar.
“Passar por uma experiência como essa traz a gente para o presente, ensina a curtir coisas que às vezes não curtiríamos. Eu não sei se aproveitaria todos os momentos que vivi depois daquilo tão bem quanto aproveitei por causa do que aconteceu”, refletiu.
Poder estar novamente diante de uma mesa, fazendo aquilo de que gosta, também ganhou outro significado. “Voltar ao esporte, estar aqui de novo, jogando tênis de mesa, fazendo o que gosto, em um lugar onde sei que estou seguro e tenho todo o apoio, é tranquilizador e incrível”, afirmou.
Uma vida construída ao redor das mesas
A relação de Heitor com o tênis de mesa começou ainda na infância. A modalidade já estava presente em sua família, especialmente pela trajetória de um primo que atuou como técnico da Seleção Brasileira Paralímpica de base. Mas foi por volta dos dez anos que ele começou a se dedicar aos treinamentos.
Desde então, as mesas começaram a ocupar um espaço cada vez maior em sua vida, proporcionando viagens, competições e oportunidades que também contribuíram para sua formação.
“Boa parte das experiências que vivi está ligada ao tênis de mesa. Foi por meio do esporte, por exemplo, que tive a oportunidade de estudar onde estudo hoje. Não conseguiria imaginar outro caminho para mim. Sempre fui uma pessoa muito competitiva, dedicada e aplicada. Acho que encontrei o meu lugar”, contou.
Em 2025, na edição dos Jogos da Juventude realizada em Brasília, conquistou três medalhas: ouro nas duplas mistas e bronze nas disputas individual e por equipes masculinas. Também teve a oportunidade de carregar a bandeira de Mato Grosso do Sul durante a cerimônia de abertura.
“O tênis de mesa me deu a oportunidade de estar aqui nos Jogos da Juventude. Ano passado, levei a bandeira do meu estado com grande orgulho. Esse esporte me deu boa parte do que tenho. Então, só tenho a agradecer a ele.”
Uma despedida com um novo olhar
Hoje, o sul-mato-grossense chega à sua última participação nos Jogos da Juventude com três medalhas conquistadas ao longo de duas edições, muitas histórias para contar e aprendizados que agora busca compartilhar com outros atletas.
“Nem sempre as coisas vão acontecer do jeito que você quer, da maneira que espera. Mas essa é a magia do esporte. Os Jogos da Juventude mostram que, com resiliência, coragem e dedicação, você se torna não só um atleta melhor, mas uma pessoa melhor. Então, meu conselho é: dediquem-se e aproveitem os momentos.”
Heitor ainda tem muito a viver no tênis de mesa. Novas competições, viagens, adversários e, quem sabe, medalhas. Mas, depois de Caracas, passou a olhar para tudo isso de uma maneira diferente. Foi à Venezuela pensando nos próximos passos da carreira. Voltou querendo aproveitar melhor cada momento dessa caminhada.
“O triatlo me conquistou porque é mais do que um esporte. É muito dinâmico, por reunir três modalidades em uma mesma prova. Se o atleta for mal na natação, pode compensar depois na corrida. Ou pode perder tudo no final. É o tempo todo na adrenalina, e a gente precisa se manter forte e concentrado para tentar ter um bom desempenho”, explica Miguel.
Os Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu 2026 são realizados pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), com apoio da Prefeitura de Foz do Iguaçu e do Governo do Paraná; patrocínio de Vale, Neoenergia e Wizard, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte; e têm a Urbia Cataratas como Parceiro Local. O COB conta com a CAIXA e Loterias CAIXA como Patrocinadores Olímpicos Nacionais Master, e com adidas, Vale, Tigre, Vivo, Medley, Neoenergia, Wizard, Dasa, Estácio, Neodent, Mormaii e Max Recovery como Patrocinadores Olímpicos Nacionais.