Natural de Cuba, Bárbara Camila Díaz (PR) adotou Foz do Iguaçu para seguir no judô e está em casa nos Jogos da Juventude CAIXA 2026

Nascida em Havana, Bárbara Camila Galis Díaz se mudou para Foz do Iguaçu com a família há quatro anos e representou o Paraná na disputa do judô nesta quarta-feira, 21 de outubro

Voltar para
Voltar para
Natural de Cuba, Bárbara Camila Díaz (PR) adotou Foz do Iguaçu para seguir no judô e está em casa nos Jogos da Juventude CAIXA 2026

Se a casa é onde o coração está, Bárbara Camila Galis Díaz, 16 anos, do Paraná, viveu um dia que jamais esquecerá nesta quarta-feira, 21 de outubro. Cubana, ela e a família adotaram Foz do Iguaçu e pôde competir nos Jogos da Juventude CAIXA 2026 na cidade que resolveram morar no Brasil. 

A jovem venceu sua primeira luta por ippon contra Júlia da Silva Abadias, do Rio Grande do Sul, para alegria dos familiares e dos amigos presentes nas arquibancadas. Porém, perdeu na sequência para Maria Valentina do Nascimento Martins (RN) nos segundos finais pela categoria feminina +70kg. 

“É muito emocionante. Foi a minha primeira vez competindo nos Jogos da Juventude e foi uma experiência única. Porque o importante, além de ganhar, são as memórias e os bons momentos. É bastante legal estar aqui”, comentou a atleta após deixar o tatame localizado no Centro de Convivência. 

Até porque não é uma simples derrota no shiai-jô que vai mudar sua relação e sua trajetória dentro do esporte. Competir nos Jogos da Juventude CAIXA 2026 em Foz do Iguaçu já representa uma conquista e tanto para a família Galis Díaz. 

Natural de Havana, capital de Cuba, eles deixaram o país caribenho justamente para que Bárbara Camila pudesse evoluir no esporte. Deixaram tudo para trás e se estabeleceram em Foz do Iguaçu, onde ela treina na Academia Iguaçuense de Judô (AIJ) sob orientação do sensei Pedro Tonello, também presente no evento como um dos técnicos do Paraná. 

Aqui, tiveram uma oportunidade rara: puderam acompanhar e torcer pela filha em uma competição nacional. 

“Estou muito mais nervosa do que ela, muito mais”, brincou Leyanys Díaz del Valle, mãe de Bárbara. “É muito sacrifício, as pessoas não sabem o que tem por trás do judô e tudo o que a gente faz. Mas vale a pena, vale muito a pena”, complementou. 

Da alegria pelo ippon vitorioso na primeira luta à angústia de sofrer o estrangulamento e perder a segunda luta nos últimos segundos, Bárbara Camila Galis Díaz vivenciou em um dia aquilo que o esporte é – com a vantagem de ter, desta vez, o apoio de sua família no local em que escolheram morar e viver. 

“Me sinto bastante grata. É legal saber que minha família me apoia e eu amo eles, estou muito feliz [com essa possibilidade]”, concluiu a jovem. 

Os Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu 2026 são realizados pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), com apoio da Prefeitura de Foz do Iguaçu e do Governo do Paraná; patrocínio de Vale, Neoenergia e Wizard, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte; e têm a Urbia Cataratas como Parceiro Local. O COB conta com a CAIXA e Loterias CAIXA como Patrocinadores Olímpicos Nacionais Master, e com adidas, Vale, Tigre, Vivo, Medley, Neoenergia, Wizard, Dasa, Estácio, Neodent, Mormaii e Max Recovery como Patrocinadores Olímpicos Nacionais.

2026.09.21 – Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu – Judo Feminino/Masculino- CCV – Foto: Anderson Neves/CBJ

Da preocupação com a saúde em Cuba para o judô competitivo no Brasil 

Quando Bárbara Camila Galis Díaz começou no judô, nem ela e nem seus familiares imaginavam que seria o início de uma caminhada que mudaria suas vidas para sempre. 

A preocupação inicial era com a saúde: com oito anos, ela estava acima do peso e decidiu praticar o judô para perder peso. A escolha não foi por acaso. Um de seus tios praticava a modalidade na universidade. Porém, a jovem começou a evoluir e a se destacar em seus combates. 

“Fui gostando muito do judô e eu gosto de competir”, brincou. 

A questão é que, para evoluir mais na modalidade, a família resolveu tomar uma medida ousada: deixar o país de origem e se mudar para o Brasil, atualmente a principal potência do continente na modalidade. Só em Jogos Olímpicos, o país sobe ao pódio de forma ininterrupta desde Los Angeles 1984. 

“No começo a gente pensava ‘será que vai dar?’. Mas ela foi evoluindo, evoluindo e deixei meu país por isso, para que ela fosse em frente com o judô”, explicou a mãe. “Deixamos tudo para trás, mas não cobro nada dela. Só falo para ela ir em frente, e ela está ganhando já. Estar competindo aqui já é uma vitória”. 

São quase quatro anos no Brasil e em Foz do Iguaçu graças ao judô. Um percurso difícil, sem dúvida, mas que Bárbara Camila Galis Díaz e família trilhariam novamente. 

“Valeu a pena deixar tudo atrás. Faria um milhão de vezes”, concluiu Leyanys Díaz del Valle.

Notícias relacionadas