Aos 15 anos, catarinense Linda Otto troca o polo aquático pelo remo e já sonha com medalha olímpica

Atleta de Santa Catarina fica com o ouro nos Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu 2026, após uma temporada de títulos nacionais e internacionais e sua estreia em um Mundial Sub-19

Voltar para
Voltar para

Há pouco mais de um ano, Linda do Nascimento Otto Tszesnioski ainda não tinha descoberto o remo. Aos 15 anos, a atleta do Clube Náutico Francisco Martinelli, de Florianópolis (SC), já acumula títulos brasileiros e sul-americanos, estreou em um Campeonato Mundial Sub-19 pela Seleção Brasileira e tem um objetivo bem definido para o futuro: conquistar uma medalha olímpica.

Nesta quarta-feira (21), Linda Otto acrescentou mais uma conquista à sua trajetória. Na prova feminina dos 1.000m dos Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu 2026, ela completou o percurso em 3min25s300, apenas três décimos de segundo atrás da argentina Abigail Irina Aguirre, que venceu com o tempo de 3min25s. As duas receberam a medalha de ouro, já que Linda foi a melhor dentre as brasileiras.

O resultado coroou mais uma experiência importante em uma temporada de grande evolução para a catarinense, que vê 2026 como um ano de afirmação no esporte. “Este ano foi o ano de me provar, de mostrar que sou capaz de estar aqui, que sou capaz de melhorar e de crescer ainda mais. Está sendo um ano muito bom, de muito aprendizado”, contou.

Do polo aquático ao remo

A história de Linda com o remo começou em 2025, por influência de uma amiga que já praticava a modalidade. Na época, ela estava sem treinar polo aquático, esporte que havia praticado anteriormente, e decidiu experimentar algo novo.

O primeiro treino, com seu atual treinador, Marquinho Martins, foi suficiente para despertar o interesse. Mesmo depois de uma estreia competitiva marcada por um imprevisto, Linda percebeu que havia encontrado uma modalidade com a qual queria seguir. “É um esporte em que, na primeira vez que tu entras no barco, dá aquele medo, aquele frio na barriga, mas tu gostas. É uma sensação muito boa”, relembrou.

A adaptação foi rápida. Ainda com apenas cinco meses de remo, Linda disputou sua primeira seletiva para os Jogos da Juventude CAIXA, em 2025, mas não conseguiu a classificação, superada por Ana Clara, campeã da edição anterior. Em vez de desistir, transformou o resultado em motivação para voltar mais forte.

Em 2026, conseguiu a vaga na Seleção Brasileira e foi ao Campeonato Sul-Americano, em Porto Alegre. Ao lado de Ana Clara, conquistou o título do double skiff, além de subir ao pódio em outras provas da competição. A temporada também foi marcada por conquistas nos Campeonatos Brasileiros Sub-17 e Sub-19, tanto no remo tradicional quanto no remo de praia. O principal passo internacional, porém, veio com a estreia no Mundial Sub-19, disputado em Plovdiv, na Bulgária. Ao lado de sua parceira, Linda terminou na 17ª colocação do double skiff.

“Não é só vitória. A gente aprende mais com a derrota do que com a própria vitória. Este ano estou aprendendo muita coisa que não tinha aprendido no ano passado”, afirmou. A experiência internacional ajudou a atleta a compreender melhor o nível de exigência da modalidade e a importância de manter os pés no chão. Depois do Mundial, a mensagem que levou para os treinos foi simples: seguir trabalhando.

Os Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu 2026 são realizados pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), com apoio da Prefeitura de Foz do Iguaçu e do Governo do Paraná; patrocínio de Vale, Neoenergia e Wizard, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte; e têm a Urbia Cataratas como Parceiro Local. O COB conta com a CAIXA e Loterias CAIXA como Patrocinadores Olímpicos Nacionais Master, e com adidas, Vale, Tigre, Vivo, Medley, Neoenergia, Wizard, Dasa, Estácio, Neodent, Mormaii e Max Recovery como Patrocinadores Olímpicos Nacionais.

Confederação valoriza importância dos Jogos da Juventude CAIXA para o crescimento do remo

A trajetória de Linda também ajuda a ilustrar o potencial dos Jogos da Juventude CAIXA para revelar novos talentos e ampliar o alcance do remo no país. Para Ney Wilson, diretor-geral da Confederação Brasileira de Remo (CBR), a competição tem um papel importante tanto na apresentação da modalidade a jovens de estados que ainda não possuem tradição no esporte quanto na aproximação de novos atletas com os clubes.

“É um grande incentivo para que a gente possa não só apresentar o remo para estados que ainda não tenham a modalidade e motivá-los para isso, como também, onde já existe, captar novos atletas, que encontram nos clubes uma porta de entrada”, destacou.

Ney Wilson ressaltou ainda a expansão da participação no remo virtual dos Jogos da Juventude CAIXA. Segundo ele, o número de estados participantes passou de 11, em 2025, para 16 em 2026, além da presença de atletas de outros dois países. Para o dirigente, esse crescimento reforça a importância da competição na construção de novos caminhos para o desenvolvimento da modalidade.

Uma disputa decidida nos detalhes e o sonho olímpico no horizonte

Nos Jogos da Juventude CAIXA 2026, Linda voltou a encontrar Abigail Aguirre, adversária que já conhecia de competições sul-americanas. As duas protagonizaram uma prova equilibrada, decidida por uma diferença mínima na linha de chegada. A catarinense explicou que enfrentou a disputa com uma tendinite no braço, condição que a levou a controlar o esforço durante o percurso. Ainda assim, valorizou o nível da competição e a experiência de voltar a disputar os 1.000 metros.

“Foi uma prova realmente muito disputada, muito boa. Essa competitividade é saudável. Eu gosto muito dela, a Abigail é muito legal. Acho que foi uma competição muito boa”, disse Linda, destacando também a amizade entre as atletas. Mais do que acompanhar as adversárias, a jovem procura concentrar-se no próprio desempenho. Durante a prova, seu foco foi manter a atenção em si mesma, sem se deixar levar pelo que acontecia ao redor. “Era eu contra eu lá dentro”, resumiu.

A postura também reflete a maneira como Linda encara a experiência dos Jogos da Juventude CAIXA. Depois de não conseguir a vaga na edição anterior, ela chegou a Foz do Iguaçu com a expectativa de viver o ambiente da competição. E encontrou algo que vai além dos resultados. “É um ambiente diferente de vários que já tive. Tem muitos atletas, muita comunicação. Não é aquela coisa de rivalidade. Aqui todo mundo é muito amigo de todo mundo, e eu adorei isso”, contou.

Apesar de ter começado no remo há pouco tempo, Linda já sabe onde quer chegar. A atleta sonha em se profissionalizar, disputar os Jogos Olímpicos e conquistar uma medalha. Depois de encerrar a carreira esportiva, também imagina continuar ligada ao movimento olímpico. “Eu quero ser atleta profissional. Quero ir para os Jogos Olímpicos, quero ganhar uma medalha olímpica. Essa é a minha meta. E, quando conseguir isso, quero trabalhar no COB”, revelou.

Notícias relacionadas