Yasmin Saddock, do Paraná, encontra na família apoio para seguir em busca do sonho olímpico

Atleta de 15 anos conquista duas pratas nos Jogos da Juventude e celebra a presença do pai, que enfrenta um tratamento contra o câncer

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Quando Yasmin Saddock entra em uma partida de tênis de mesa, sabe que não está jogando apenas por si mesma. Nas arquibancadas, seus pais e seu irmão acompanham cada ponto, vibram com suas conquistas e compartilham um sonho que, aos poucos, passou a ser de toda a família.

Nesta quarta-feira (21), nos Jogos da Juventude CAIXA 2026, em Foz do Iguaçu, a jovem de 15 anos conquistou duas medalhas de prata para o Paraná, no individual e nas duplas femininas. Era sua primeira participação na competição, e havia alguém na torcida que ela estava especialmente feliz em ter por perto.

Seu pai, Marco Antônio.

Em tratamento contra o câncer, ele conseguiu acompanhar as disputas ao lado da esposa, Kelly, e do filho. Durante as partidas, vibrou, torceu e se emocionou com os resultados da filha.

“Eu fico muito feliz que conseguimos levar meu pai para alguns campeonatos, que ele conseguiu viajar e me assistir. Ele fica muito feliz me vendo jogar, se emociona. Minha mãe também estava chorando porque eu ganhei aquela partida”, contou Yasmin.

O tênis de mesa, aliás, já fazia parte da história da família antes mesmo de Yasmin começar a jogar. Seu avô paterno e seu tio também fizeram parte do esporte. Para Marco Antônio, ver a filha seguindo esse caminho tem um significado particular.

“Para mim, estar aqui é a realização de um sonho. Somos uma família que sempre teve uma ligação muito forte com o tênis de mesa. Meu pai também jogou, e agora vemos essa paixão continuar com a Yasmin. Nunca imaginei que ela chegaria tão longe”, contou.

Família de Yasmin Saddock se emociona com a conquista da prata. Foto: Carol Coelho/COB

O “nosso” sonho

A história de Yasmin com o tênis de mesa começou em 2022, nos torneios interclasses da escola. Depois de vencer as quatro competições que disputou, decidiu experimentar um campeonato fora daquele ambiente. Não teve bons resultados, mas gostou o suficiente para querer continuar.

A partir dali, vieram os treinamentos, as primeiras competições de peso e uma oportunidade que mudaria a rotina da família: deixar a região de Curitiba e se mudar para Foz do Iguaçu, onde Yasmin poderia se dedicar ainda mais à modalidade.

“Quando surgiu a oportunidade de vir para Foz, a gente não pensou duas vezes. Pegamos tudo em Curitiba e viemos para cá para incentivar a Yasmin. Mudamos de cidade para que ela pudesse se desenvolver, intensificar os treinamentos e continuar evoluindo no esporte”, contou Kelly.

A decisão também significou adaptar a rotina da família, que hoje precisa conciliar os compromissos esportivos da jovem com o tratamento de Marco Antônio.

A história continua

Yasmin começou a competir há pouco tempo, especialmente quando comparada a algumas das adversárias que enfrenta. Enquanto muitas praticam a modalidade desde pequenas, ela começou a treinar com mais dedicação depois de descobrir o esporte na escola.

A diferença de experiência, porém, não a impediu de chegar ao pódio em sua estreia nos Jogos da Juventude. “Eu treino há só três anos e tem muita gente da minha categoria que joga desde os quatro anos. Mesmo assim, consigo competir com elas e ganhar também. Fico muito feliz com a minha evolução. E eu evoluí porque não desisti”, destacou.

Aos 15 anos, Yasmin ainda tem um longo caminho pela frente até realizar o sonho de disputar os Jogos Olímpicos. E, independentemente de onde o tênis de mesa a leve, sabe que não estará sozinha. Afinal, o sonho começou com ela, mas há muito tempo deixou de ser apenas seu.

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