Ser goleiro ou goleira de handebol exige certa dose de coragem – e também de loucura. Júlia Barnabé de Moraes não apenas concorda com isso, como tenta demonstrar dentro de quadra. Nesta quarta-feira, 28 de outubro, foi a grande destaque do Distrito Federal na conquista do título nos Jogos da Juventude CAIXA 2026.
Na decisão da terceira divisão feminina, o Distrito Federal venceu o Rio Grande do Norte por 23 a 17 para conquistar a medalha de ouro. A vitória só foi possível graças à boa atuação da goleira, responsável por pelo menos oito defesas no um contra um – numa delas ainda defendeu no rebote.
“Eu estou muito feliz, sinto que joguei muito bem e gostei muito de todas as minhas defesas. Consegui ler muito bem minhas adversárias e foi muito bom, sinto que todo meu trabalho está dando resultado”, confirmou após a vitória.
Aos 16 anos, Júlia se mostrou uma goleira segura em toda a campanha de sua unidade da federação nos Jogos da Juventude CAIXA. Em apenas um jogo tomou mais de 20 gols (na derrota por 21 a 20 para o Acre). A média sofrida em cinco partidas foi de 15 gols, marca expressiva dentro do handebol.
E pensar que receber vários arremessos, alguns à queima-roupa, e ter que defendê-los do jeito que der foi uma escolha da adolescente. Em seu início de carreira, ela teve que pedir e insistir muito para poder jogar no gol. Sentia que poderia ter mais sucesso jogando embaixo das traves do que na linha – e estava certa.
“Várias vezes já me chamaram de maluca porque para ser goleiro tem que ser doido. Meu pai muitas vezes fala isso, que tem que ser doido. Mas tem que ser mesmo, né, para ficar levando tanto de bolada”, brincou a atleta.
Os Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu 2026 são realizados pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), com apoio da Prefeitura de Foz do Iguaçu e do Governo do Paraná; patrocínio de Vale, Neoenergia e Wizard, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte; e têm a Urbia Cataratas como Parceiro Local. O COB conta com a CAIXA e Loterias CAIXA como Patrocinadores Olímpicos Nacionais Master, e com adidas, Vale, Tigre, Vivo, Medley, Neoenergia, Wizard, Dasa, Estácio, Neodent, Mormaii e Max Recovery como Patrocinadores Olímpicos Nacionais.

Após cair em casa, Júlia Barnabé de Moraes recoloca Distrito Federal na segunda divisão
A medalha de ouro na terceira divisão em Foz do Iguaçu não foi a primeira experiência de Júlia Barnabé de Moraes nos Jogos da Juventude CAIXA. Brasiliense, ela esteve na edição de 2025 realizada na cidade. A experiência, contudo, poderia ter sido melhor: o Distrito Federal foi rebaixado na segunda divisão do handebol feminino.
Por isso, a meta desde o início do ano era conquistar o acesso com a equipe. “A gente trabalhou muito para chegar aqui. Queríamos sair campeãs e deu certo, tenho certeza que o time todo está feliz”, afirma.
Como quase toda criança, ela descobriu o handebol aos 11 anos na escola em que estudava. Antes, chegou a tentar o vôlei, mas “não tem a mesma adrenalina do handebol, como estar na quadra, agarrar e gritar”, brincou.
A aceitação foi rápida. Pouco tempo depois, o professor a indicou para o Ceilândia, um dos clubes no Distrito Federal. Lá, ela pôde finalmente treinar mais como goleira e, principalmente, participar de vários campeonatos. Jogou vários Campeonatos Brasileiros de base e edições dos Jogos Escolares.
O objetivo, agora, é seguir evoluindo no esporte e alcançar novos voos nos Jogos da Juventude CAIXA. “Esta é uma experiência que todo atleta deveria ter um dia”, resumiu.