“O handebol me abraçou e eu abracei o handebol”: Carla Antonucci celebra ouro nos Jogos da Juventude CAIXA

Com vitória por 21 a 19 sobre Santa Catarina, equipe paulista conquista o ouro sob o comando de treinadora que há 26 anos se dedica à formação de atletas no handebol feminino.

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Faltavam poucos minutos para o fim da decisão do handebol feminino dos Jogos da Juventude CAIXA 2026. São Paulo, que havia construído uma vantagem sobre Santa Catarina, viu a equipe adversária reagir e assumir a liderança. Para complicar ainda mais a situação, as paulistas precisaram lidar com a lesão da goleira Aylla durante a partida.

Foi nesse momento que Carla Antonucci, treinadora da equipe paulista, pediu tempo. Reuniu as atletas, conversou com elas e procurou reorganizar um grupo que, além da pressão de uma final, estava abalado pelo que havia acontecido com a companheira.

A resposta veio dentro de quadra. Com dois gols decisivos na reta final, São Paulo retomou a liderança e venceu Santa Catarina por 21 a 19, conquistando o ouro da primeira divisão do handebol feminino, nesta quarta-feira (28), em Foz do Iguaçu (PR).

Após a partida, o choro era de alívio, mas também de dever cumprido. Para muitas daquelas meninas, estar ali significou abrir mão do conforto de casa, da convivência diária com a família e de momentos importantes para perseguir um sonho que nem sempre oferece certezas.

“Muitas abrem mão de várias coisas para estar em São Paulo. Acordam de madrugada, atravessam a cidade, estudam, treinam e voltam tarde para casa. Às vezes, não têm os pais por perto para ajudar nas tarefas de casa. Elas se dedicam muito para estar aqui”, explicou Carla.

A equipe

Há 26 anos à frente do handebol feminino do Esporte Clube Pinheiros, Carla conhece de perto as dificuldades enfrentadas pelas atletas. Por isso, procura acompanhar não apenas o desempenho dentro de quadra, mas também as questões emocionais que fazem parte da formação esportiva.

“Eu acho que uma qualidade que tenho é a escuta ativa. Escuto o que elas estão falando, o que precisam. Percebo quando estão nervosas ou ansiosas. Às vezes, durante o jogo, é preciso tirar uma atleta, conversar, dar um respiro e depois colocá-la novamente. Esse olhar faz toda a diferença”, afirmou.

Mariana Siqueira, de 17 anos, camisa 11 da equipe, conhece bem essa maneira de trabalhar. Natural do Distrito Federal, deixou a família para investir no handebol e chegou ao clube há cerca de sete meses.

“A Carla é como uma mãe. Ela ensina, explica e, quando precisa brigar, briga. Mas também entende a gente, dá nosso espaço e deixa que a gente tome decisões”, contou.

Mariana abraçando a companheira Aylla que se machucou durante a partida. Foto: Alexandre Loureiro/COB

Na final contra Santa Catarina, essa relação foi importante para que a equipe conseguisse reagir depois da lesão da companheira.

“A gente sentiu muito o que aconteceu com a Aylla e acabou deixando o jogo ficar difícil. Mas a Carla pediu tempo, conversou com a gente e entendemos que precisávamos voltar mais fortes. Queríamos ganhar por ela e por nós”, relembrou Mariana.

Uma vida dedicada ao handebol

Antes de se tornar treinadora, Carla praticou natação e voleibol. Foi durante a faculdade, na Universidade de São Paulo, que se aproximou do handebol e descobriu o interesse pela formação de crianças e adolescentes.

Anos depois, recebeu o convite para desenvolver a equipe feminina do Pinheiros, clube que já tinha tradição no masculino, mas ainda não contava com um trabalho equivalente entre as mulheres.

“Meu desafio foi criar o feminino. Hoje estou há 26 anos no clube, trabalhando desde as iniciantes até o adulto. O handebol me abraçou e eu abracei o handebol. Foi amor”, relembrou.

Ao longo dessa trajetória, Carla também passou a dedicar parte de seu trabalho à formação de outras mulheres no esporte. Participou do Coach Developer, programa do Comitê Olímpico do Brasil voltado à capacitação de mulheres treinadoras, e atuou como mentora nas duas primeiras edições do MIRA, iniciativa do COB dedicada ao desenvolvimento de lideranças femininas.

“Prometi para mim mesma que não vou parar enquanto não tiver mais mulheres treinando handebol, mais mulheres próximas ao alto nível, de um trabalho estruturado, que valorize o profissional e não o gênero. Talvez esse seja um caminho que eu busque seguir agora: deixar um pouquinho a capacitação das minhas atletas e passar para uma outra fase, que é a capacitação de outras treinadoras”, contou.

Depois de 26 anos no Pinheiros, Carla já viveu muitas finais, vitórias e derrotas. Mas, para ela, nenhuma geração é igual à outra. Cada uma chega com seus próprios desafios, sonhos e expectativas. E, nesta quarta-feira (28), ao ver suas atletas comemorando o título dos Jogos da Juventude CAIXA, em Foz do Iguaçu, encontrou mais um motivo para se orgulhar da profissão que escolheu.

“Ver essas meninas felizes, chorando, emocionadas, com o sentimento de missão cumprida, é o que me recompensa. Não é pela medalha, mas pelo que eu transformo na vida delas.”

Os Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu 2026 são realizados pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), com apoio da Prefeitura de Foz do Iguaçu e do Governo do Paraná; patrocínio de Vale, Neoenergia e Wizard, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte; e têm a Urbia Cataratas como Parceiro Local. O COB conta com a CAIXA e Loterias CAIXA como Patrocinadores Olímpicos Nacionais Master, e com adidas, Vale, Tigre, Vivo, Medley, Neoenergia, Wizard, Dasa, Estácio, Neodent, Mormaii e Max Recovery como Patrocinadores Olímpicos Nacionais.

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