Muitos dos nossos planos começam com uma brincadeira e uma pergunta aparentemente inocente: “E se?”. Foi justamente assim que nasceu uma ideia que, meses depois, levaria um grupo de amigos de diferentes regiões do Brasil ao lugar mais alto do pódio dos Jogos da Juventude CAIXA 2026.
Tudo começou em 2025, durante um período de treinamentos da seleção brasileira de handebol. Entre uma atividade e outra, o pernambucano Inácio Barros Melo, de 17 anos, fez uma proposta aos companheiros: e se todos fossem para Recife jogar juntos?
Naquele momento, ninguém sabia muito bem se a ideia sairia do papel. Mas Inácio não esqueceu a conversa. No fim do ano, voltou a procurar os amigos, desta vez com uma pergunta mais séria: quem realmente toparia mudar de cidade para formar uma equipe?
E eles toparam.
Atletas de Pernambuco, Alagoas, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro e Maranhão acabaram reunidos em um mesmo projeto. Nesta quarta-feira (28), em Foz do Iguaçu (PR), o grupo conquistou o título do handebol masculino dos Jogos da Juventude CAIXA 2026, encerrando uma temporada que começou com uma conversa entre amigos.
“É muito gratificante ver que um projeto deu certo, que todo o esforço foi recompensado. Significa muito para mim e para toda a equipe, principalmente porque é o último ano de muitos de nós nos Jogos da Juventude”, contou Inácio.

Uma brincadeira que virou realidade
Entre os primeiros a receber o convite estava Arthur Basilio, de 17 anos, natural de São Luís, no Maranhão. Conhecido pelos companheiros como “Maranhão”, ele defendia o Esporte Clube Pinheiros, em São Paulo, quando Inácio começou a provocá-lo sobre a possibilidade de jogar em Recife.
“Ele chegou para mim e falou: ‘Maranhão, você não tem coragem de jogar lá no clube com a gente, fica mais perto de casa’. Eu levei como brincadeira. Depois, no fim do ano, ele me mandou uma mensagem falando que estavam montando um time para disputar o Brasileiro de Clubes e os Jogos da Juventude. Eu abracei a ideia”, relembrou.
Para Arthur, a decisão significou reencontrar amigos que já conhecia da seleção brasileira e, ao mesmo tempo, experimentar uma nova etapa da carreira. Em sua primeira participação nos Jogos da Juventude, chegou ao título.
“É maravilhoso estar aqui sendo campeão com meus companheiros. Tudo partiu de uma brincadeira, de uma ideia que tivemos lá atrás. É um sentimento que não dá para descrever”, afirmou.
Theo Lucas Martins, também de 17 anos, deixou o Rio de Janeiro para integrar o projeto. Natural de Campo Grande, na Zona Oeste da capital fluminense, ele havia saído do Pinheiros quando recebeu o convite para defender a equipe pernambucana.
A familiaridade com os novos companheiros ajudou na decisão. Alguns já haviam se enfrentado em competições anteriores, enquanto outros compartilhavam experiências nas seleções de base.
“Eu aceitei na hora. Já conhecia o Inácio, tinha jogado contra ele e sabia que era um cara muito gente boa. Já passei por outros clubes com atletas de vários estados, mas esse foi o melhor time em que joguei”, contou.

De diferentes estados, uma só equipe
A mudança também trouxe uma rotina diferente para os jovens. Longe de suas famílias, os atletas passaram a dividir apartamentos, organizar os próprios horários e até preparar as refeições.
“Hoje a gente mora em dois apartamentos, metade em cada um. A convivência é muito boa. E a gente mesmo cozinha, vai se virando”, explicou Theo Lucas, entre risadas.
Dentro de quadra, o entrosamento construído antes mesmo da formação da equipe foi um dos pontos importantes da campanha. Fora dela, a amizade ajudou a reunir jogadores que, em outras circunstâncias, poderiam continuar se encontrando apenas como adversários.
Capitão do grupo, Inácio assumiu a responsabilidade de organizar os companheiros e ajudar a transformar aquela ideia em uma equipe competitiva.
“Eu gosto dessa responsabilidade, de chamar o time e dar o exemplo. É muito importante ver que o grupo me apoia, não só como capitão, mas também como amigo e irmão”, afirmou.

Para muitos integrantes do elenco, esta foi a primeira e também a última oportunidade de disputar os Jogos da Juventude. Aos 17 anos, Theo Lucas deixa a competição com uma medalha de ouro e a lembrança de uma temporada que começou de maneira inesperada.
“Chego a arrepiar falando. Foi muito especial estar aqui e mostrar o potencial que nós, jovens atletas, temos. É muito gratificante”, afirmou.
Há pouco mais de um ano, Inácio perguntou aos amigos se topariam se mudar para Recife para jogar juntos. A ideia parecia distante, talvez até um pouco maluca. Mas os convites foram enviados, as mudanças aconteceram e o time foi formado.
E aquele “e se?”, que começou como uma brincadeira entre amigos, terminou com o Brasil inteiro reunido em Pernambuco e uma medalha de ouro nos Jogos da Juventude CAIXA 2026.
Os Jogos da Juventude CAIXA Foz do Iguaçu 2026 são realizados pelo Comitê Olímpico do Brasil (COB), com apoio da Prefeitura de Foz do Iguaçu e do Governo do Paraná; patrocínio de Vale, Neoenergia e Wizard, por meio da Lei de Incentivo ao Esporte; e têm a Urbia Cataratas como Parceiro Local. O COB conta com a CAIXA e Loterias CAIXA como Patrocinadores Olímpicos Nacionais Master, e com adidas, Vale, Tigre, Vivo, Medley, Neoenergia, Wizard, Dasa, Estácio, Neodent, Mormaii e Max Recovery como Patrocinadores Olímpicos Nacionais.